Jornal «Reconquista» tem novo Director

Agostinho Gonçalves Dias é o novo Director do Reconquista. A sua história mistura- se com a do jornal em diversas ocasiões e, nesse sentido, é um homem da casa que assume o leme deste semanário de inspiração cristã. Agostinho Gonçalves Dias é, desde a edição desta semana, o novo Director do semanário Reconquista. Tem 61 anos (praticamente os mesmos do jornal que cumpre essa idade no próximo mês de Maio), nasceu no concelho de Castelo Branco, mais precisamente em Juncal do Campo, e a sua história cruza-se com a deste semanário em diversas ocasiões ao longo dos anos. Desde logo quando ainda criança, como lembra, “a primeira coisa que comecei a ler fora dos livros da escola foi o jornal Reconquista”. O pai tinha uma barbearia em Juncal e, aos sábados, depois da escola, o jovem Agostinho ía para lá “ler o Reconquista em voz alta para que os velhotes daquela zona, que não sabiam ler, pudessem saber as notícias”. Agostinho Dias é sacerdote desde 9 de Julho de 1967, tendo estudado nos seminários da Diocese, em Gavião, Alcains e Portalegre. Chegou a Castelo Branco em Outubro desse mesmo ano, quando dirigia este semanário o cónego Anacleto Martins. Desde logo foi redactor deste jornal, nomeadamente entre 1967 e 1969. Foi ele quem criou a secção “Ideias e Factos”, tendo-a inaugurado com um escrito seu. Nessa altura era uma secção muito temida pelos censores do antigo regime. Ainda hoje a secção existe no Reconquista, na última página, sendo um espaço deste semanário onde os seus directores trazem a lume questões da actualidade nacional e internacional. Devido à sua escrita directa e sem rodeios – na qual era acompanhada pelos seus companheiros da altura – passou por um momento que agora lembra com boa disposição: “Em 1969 fomos todos (ele e os padres João Chamiço, João Farinha e Tarcísio Alves) postos fora do jornal pelo Bispo de então”. Entendia-se nessa época que os referidos redactores estariam a conduzir o Reconquista demasiado para fora da sacristia e a levar o jornal para a praça pública. Hoje o episódio não passa disso mesmo, face ao percurso que o semanário fez de então para cá. Actualmente, Agostinho Gonçalves Dias é o Pároco de S. José Operário (Bairro Cansado), paróquia que dirige desde 17 de Setembro de 1990. Na sua apresentação aos funcionários da casa lembrou a década de sessenta do século passado quando “os censores mandavam quase tudo para trás e era difícil fazer o jornal como deve ser”, insistindo no facto de “já nessa altura termos tentado sempre tirar o jornal da sacristia, porque sentíamos que era esse o caminho a seguir… o Padre Cabral conseguiu mais tarde fazê-lo e colocou o jornal na praça e deu-lhe um impulso muito considerável, mesmo ao nível da maquinaria”. Neste sentido, é com naturalidade que assume a Direcção do jornal. Tanto mais que já substituía o ex-director Alfredo Serra Magalhães nas suas ausências. “Estamos aqui como uma família, como um grupo de amigos para continuar a obra”, disse, acrescentando que “o Monsenhor Magalhães fez-me o favor de ser meu amigo e muitas vezes lia-me os textos que escrevia antes de os publicar para reflectir sobre os mesmos… ele até me dizia que quando eu me reformasse tinha de o ir ajudar a dirigir o jornal, ninguém diria que agora o vinha substituir”. Na mesma ocasião frisou que “o Reconquista fez sempre parte da minha vida desde a tenra infância em Juncal do Campo e por isso com muita naturalidade que entro aqui, contando com todos os funcionários, colaboradores e correspondentes para seguir em frente, porque a nossa razão de ser são os nossos leitores e anunciantes… é a eles que temos de servir e ajudar”. Agostinho Gonçalves Dias é um homem identificado com a realidade do Reconquista, conhece a casa a fundo há muitos anos e já demonstrou que está disposto a manter o rumo: “Somos um jornal cristão, não apenas porque pertencemos à Igreja, mas porque tratamos os problemas à luz do Evangelho e é assim que vamos continuar”.

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