Departamento da Pastoral Familiar de Braga mobiliza paróquia de Esposende “Os desafios da família, hoje”, foi o tema central do encontro de dezenas de casais, no passado domingo, no Centro Paroquial de Apúlia, em Esposende. O tema foi desenvolvido pelo padre Domingos Paulo Oliveira, assistente do Departamento da Pastoral Familiar da Arquidiocese de Braga, uma das entidades organizadoras deste encontro. Depois, as cerca de 260 pessoas reunidas em Apúlia, a convite da Equipa da Pastoral Familiar desta paróquia, viram um filme e participaram no debate moderado por aquele sacerdote. No debate interveio o Bispo Auxiliar de Braga D. Antonino Dias, que encerrou o encontro, e também o casal orientador do Departamento Arquidiocesano da Pastoral Familiar (José Maria Sousa e Conceição). Na conferência, o padre Domingos Paulo Oliveira procurou apresentar a Família como «o lugar privilegiado de desenvolvimento de relações interpessoais plenamente gratificantes, porque tem como base e meta o amor». Pretendeu também «mostrar os principais erros e falsas expectativas à volta do casamento, da família e do amor, produzidas pela cultura actual e que adulteram a sua identidade». Procurou ainda que os participantes neste encontro tomem consciência de que a sexualidade é uma dimensão, como outras, da pessoa humana e que há que aprender a integrá-la harmonicamente na sua personalidade global. E que «uma sexualidade negada, não educada, é uma força destrutiva muito poderosa». Na sua intervenção, o sacerdote pretendeu «ajudar a descobrir a importância do diálogo na vida conjugal », frisando que o diálogo «também tem a ver com a vivência da fé». E que, neste sentido, há que «perspectivar novas formas e espaços de diálogo». Tendo em conta que a sociedade é o resultado do que são as famílias, o padre Domingos Paulo incentivou os casais presentes a reflectir sobre os critérios e os valores da educação. E também sobre os desafios da sociedade actual à família entendida na perspectiva cristã. O sacerdote apontou quatro. Por um lado, a «independência dos cônjuges entre si», que cria obstáculos na «vivência da comunhão, de uma espiritualidade conjugal mais profunda, do diálogo». Por outro — acrescentou —, a família é afectada pelas «graves ambiguidades acerca da relação de autoridade entre pais e filhos». «Vê-se no quotidiano familiar o desejo dos filhos de se tornarem, cada vez mais, autónomos, em relação aos pais. E nota-se uma certa ausência de muitos pais na educação dos filhos. Esta é, às vezes, motivada por necessidades económicas, por causa das quais pai e mãe são obrigados a trabalhar. Mas também por influência negativa dos meios de comunicação social dentro de casa. Ou por desencontros em horários de trabalho», explicou. As dificuldades concretas que a família muitas vezes experimenta na transmissão dos valores e o número crescente de divórcios foram os outros desafios apontados pelo sacerdote. Desafios ou sombras que, concluiu o conferencista, não apagam as muitas luzes que «dão esperança: por um lado, de facto, existe uma consciência mais viva da liberdade pessoal e maior atenção à qualidade das relações interpessoais no matrimónio, à promoção da dignidade da mulher, à procriação responsável, à educação dos filhos». E «há, além disso — acrescentou —, a consciência da necessidade de que se desenvolvam relações entre as famílias por uma ajuda recíproca espiritual e material, a descoberta da missão eclesial própria da família e da sua responsabilidade na construção de uma sociedade mais justa ».
