Poucos dias depois de Bento XVI ter manifestado a sua preocupação pelo futuro da “família fundada sobre o matrimónio”, num discurso dirigido às autoridades de Roma, o Cardeal Alfonso Lopez Trujillo, presidente do Conselho Pontifício para a Família, veio a público afirmar que a legalização das uniões de facto e dos casamentos homossexuais “destrói a família”.
Em entrevista ao jornal italiano “La Repubblica”, publicada ontem, o membro da Cúria Romana assegura que, após a aprovação de casamentos homossexuais, “tudo é possível”. Num momento em que a Itália discute os PACS (pactos sociais de solidariedade), em favor da união civil dos “casais de facto”, várias têm sido as manifestações de protesto contra a posição do Vaticano, nesta matéria.
Para o Cardeal colombiano, toda esta tensão mais não faz do que “criar confronto e confusão”. Bento XVI afirmou na semana passada que “é um grave erro obscurecer o valor e as funções da família fundada sobre o matrimónio, atribuindo a outras formas de união impróprias o reconhecimento jurídico, do qual não há, de facto, nenhuma exigência social efectiva”. O Cardeal Lopez Trujilo frisou, na sua entrevista, que “pela primeira vez na história de todas as culturas, de todas as religiões, de todas as etnias, aquilo que sempre foi verdade em todas as concepções da natureza, da filosofia e da teologia encontra-se comprometido: o casamento como união de um homem com uma mulher”.
“Estamos perante uma grande confusão filosófica, jurídica e teológica”, explicou. Sobre a experimentação, na Itália, da pílula abortiva Ru486, o presidente do Conselho Pontifício para a Família evocou “o drama das pobres mulheres que sofrem a pressão da opinião pública e são levadas para o aborto”, em vez de serem ajudadas. Segundo o Cardeal colombiano, estamos na presença de uma verdadeira “guerra química contra a vida por nascer”.
