Rabino-Chefe de Roma convida Bento XVI a visitar a Sinagoga Bento XVI voltou hoje a manifestar a sua preocupação perante o aumento dos sinais e gestos de anti-semitismo no mundo, ao receber em audiência o Rabino-Chefe de Roma, Riccardo Di Segni. “Como não ficar entristecido e preocupado perante as renovadas manifestações de anti-semitismo que se registam?”, interrogou. O Papa pediu um esforço conjunto para “denunciar e combater com determinação as incompreensões, as injustiças e as violências que continuam a semear preocupação nas almas dos homens e das mulheres de boa vontade”. Num discurso que retoma as linhas fundamentais deste pontificado, no que diz respeito às relações com o Judaísmo, Bento XVI assegurou que “a Igreja Católica está ao vosso lado e é vossa amiga”. “Sim, nós amamo-vos e não podemos não amar-vos, por causa dos Pais: por causa deles, vós sois para nós caríssimos e predilectos irmãos”, prosseguiu. O Rabio Di Segni lembrou, por seu lado, que no próximo mês de Abril serão comemorados os 20 anos da histórica visita de João Paulo II (13.04.1986) à Sinagoga de Roma, revelando ter convidado o actual Papa para um acto semelhante. “A visita de João Paulo II foi um acontecimento único, mas nada impede que seja repetido pelo novo Papa, que é sempre bem-vindo”, disse. Bento XVI já visitou uma Sinagoga, na sua visita a Colónia, Alemanha, em Agosto de 2005. Várias têm sido as suas interveções sobre a importância da declaração “Nostra aetate”, do Concílio Vaticano II, sobre as relações entre a Igreja e as religiões não-cristãs, que no ano passado assinalou o seu 40º aniversário. Esta manhã, novamente, o Papa sublinhou as lições do Concílio, entre as quais a “estima” e a “confiança recíproca” entre os fiéis das duas religiões. “Juntamente convosco, temos a responsabilidade de cooperar para o bem de todos os povos, na justiça e na paz, na verdade e na liberdade, na santidade e no amor”, frisou. Explicando a importância e o objectivo do diálogo entre religiões, Bento XVI declarou que “são muitas as urgências e os desafios que nos pedem que unamos as nossas mãos e os nossos corações em iniciativas concretas de tzedek (justiça) e de tzedekah (caridade)”. O discurso do Papa iniciou-se e encerrou-se com a palavra hebraica “Shalom”.
