Fundadores e representantes do Caminho recebidos no Vaticano Bento XVI chamou hoje a atenção das comunidades neocatecumenais para a necessidade de, como toda a Igreja, celebrarem e desenvolverem as suas actividades “em sintonia e em plena comunhão com o Papa e os pastores de cada diocese”. Os fundadores do Caminho, Kiko Argüello, Carmen Hernández e Pe. Mario Pezzi, receberam no mês passado uma carta datada de 1 de Dezembro, assinada pelo Cardeal Francis Arinze, Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos (CCDDS), após o período experimental concedido por João Paulo II. A missiva apresentava novas normas litúrgicas para as celebrações das comunidades neocatecumenais, com especial destaque para o modo de receber a comunhão e para a necessidade de celebrarem ao Domingo e, pelo menos uma vez por mês, com a comunidade paroquial. Bento XVI explicou que essas normas se destinaram a “ajudar” o Caminho, de modo a que possa tornar “ainda mais incisiva a sua própria acção evangelizadora em comunhão com todo o Povo de Deus”. “Estou seguro de que estas normas, que retomam o que está previsto nos livros litúrgicos aprovados pela Igreja, serão observados por vós atentamente”, sublinhou. O Papa falou ainda aos responsáveis e outros representantes do Caminho neocatecumental da “centralidade do mistério de Cristo, celebrado nos ritos litúrgicos”. “A importância da liturgia e, em particular, da Santa Missa na evangelização foi colocada muitas vezes em destaque pelos meus predecessores, e a vossa longa experiência pode confirmar como a centralidade do mistério de Cristo, celebrado nos ritos litúrgicos, constitui uma via privilegiada e indispensável para construir comunidades cristãs viva e perseverantes”, assinalou. Perante Cardeais, Bispos e 200 famílias neocatecumanais, Bento XVI pediu aos presentes que saibam colocar em prática o “mandato missionário”, no contexto da Nova Envagelização, destacando a importância da família. “Continuai a difundir o Evangelho da vida”, disse às famílias enviadas em Missão. As novas normas Entre as práticas dos neocatecumenais corrigidas pelo Vaticano está a prática de as leituras da Missa serem comentadas – “ecos” ou “ressonâncias” –, sob o risco de que a homilia fique reduzida a um mais comentário. Com isto, a carta assinala que os comentários prévios às leituras devem ser breves e, sobre os testemunhos dos presentes, remete as autoridades do Caminho Neocatecumenal à Instrução inter-dicasterial “Ecclesiae de Mysterio”, aprovada “em forma especifica” pelo Papa João Paulo II. Neste documento é indicado que os testemunhos, breves e ocasionais, não podem de forma alguma confundir-se com a homilia. A CCDDS faz também menção às celebrações eucarísticas do caminho neocatecumenal que se realizam fora da comunidade paroquial. A Santa Sé assinala que “pelo menos uma vez por mês, as comunidades do Caminho Neocatecumenal devem participar na Missa da comunidade paroquial”. A missiva convida a recordar a importância do Domingo como “Dies Domini”, dia do Senhor. A norma mais significativa, entretanto, é a referida à recepção das espécies consagradas. A este respeito, a CCDDS dá ao Caminho Neocatecumenal “um tempo de transição (não mais que dois anos) para passar do modo introduzido nas suas comunidades […] ao modo normal para toda a Igreja de receber a Santa Comunhão. Isso significa que o Caminho Neocatecumenal deve caminhar para o modo previsto nos livros litúrgicos para a distribuição do Corpo e o Sangue de Cristo”. Nota: A respeito desta notícia, prestamos os seguintes esclarecimentos: – os chamados «ecos» ou «ressonancias» são experiências pessoais sobre aquilo que impressionou o fiel em relação à sua vida, após ter escutado a palavra de Deus; a homilia será algo completamente distinto, pois é a actualização da Palavra por parte do Magistério da Igreja. – a comunhão sob as duas espécies não se faz passando entre si o corpo e o sangue de Cristo; antes é o presbítero, ou por si ou ajudado por ministros extraordinários, nomeados ou ad actum, quem distribui a Sagrada Comunhão.
