Braga pondera concorrer ao prémio Igreja Segura

A igreja de São Paulo, em Braga, pondera concorrer ao prémio “Igreja Segura 2005”, no valor de 15 mil euros, lançado pelo Instituto Superior de Polícia Judiciária e Ciências Criminais, com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian. A ideia é distinguir a igreja piloto, que no âmbito do Projecto Igreja Segura, melhor protegeu e valorizou o património cultural. De acordo com o regulamento, as candidaturas, que devem ser entregues até ao dia 31 de Dezembro, destinam-se exclusivamente aos espaços de culto que foram seleccionados para integrar a iniciativa Igreja Segura, como é o caso da Igreja de São Paulo. O Cón. José Paulo Abreu diz que a diocese está a estudar a hipótese de concorrer, embora a grande preocupação, no imediato, seja o restauro de algumas partes do templo. Aquele responsável adianta que há duas fases do projecto que já estão concluídas, falta uma última que consiste na intervenção patrimonial. A primeira etapa, já cumprida, consistiu na sensibilização do público, através de uma exposição itinerante multimédia “SOS Igreja”, que serviu para alertar para os principais problemas que afectam as igrejas e os bem móveis nelas contidos, apontando Braga pondera concorrer ao prémio Igreja Segura soluções, quer em termos de prevenção criminal, quer de conservação preventiva. Além disso, foram ainda realizadas as Jornadas do Património. Depois, já numa segunda fase, foi feito um diagnóstico do estado de conservação do património e intervenções necessárias. Este item também já foi concretizado. Segundo o Cón. José Paulo Abreu, o rastreio apontou três questões fundamentais, que têm a ver com as obras que é necessário fazer: recuperação da azulejaria da capela mor; limpeza, desinfestação e fixação de oito altares laterais e a tribuna e o restauro do órgão de tubos. O vidrado encontra-se «bastante bom», afirma o sacerdote, referindo que em termos de azulejos a situação mais delicada verifica-se no rodapé. Alguns azulejos podem ser substituídos, porque há possibilidade de os recuperar e repor. Outros é impossível, porque simplesmente não existem e, por isso, terá de ser encontrada uma outra solução para tapar a caliça. O órgão de tubos precisa de tubaria toda nova e de um sistema de alimentação, conta o Cón. Paulo Abreu, explicando que vai ser mantido o sistema pneumático, mas com motor eléctrico. No que respeita aos altares e tribuna é necessário proceder à limpeza, reintegração de alguns elementos e fixação de estruturas. O problema, neste momento, revela, é encontrar mecenas para avançar com os trabalhos, que estão orçados em cerca de 100 mil euros. Alguns trabalhos de limpeza e desinfestação podem ser assumidos pelo Gabinete de Restauro do Museu Pio XII, mas os restantes exigem mão-de-obra devidamente especializada. De acordo com o Instituto Superior de Polícia Judiciária, o prémio Igreja Segura tem como objectivo fomentar a criação de modelos de protecção e valorização do património histórico, artístico e religioso das igrejas, possibilitar a abertura ou o aumento de período de abertura e usufruto por parte das populações de templos que até agora tenham estado encerrados por questões de segurança e criar condições que facilitem a conservação e o restauro, assim como o estudo, o acesso e a divulgação adequados e controlados do património histórico e artístico das igrejas. Por outro lado, é uma forma de encorajar e apoiar projectos de qualidade que aproveitem, valorizem e dinamizem o potencial cultural dos espaços de culto, reforçando ou criando novas ligações com a comunidade, contribuindo assim para o desenvolvimento cultural e sócio-económico das povoações.

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