Arcebispo na reabertura da igreja paroquial de Guardizela, Guimarães O Arcebispo Primaz propôs ontem que, depois das obras de recuperação e restauro da igreja paroquial de Guardizela, Guimarães, a comunidade investisse na formação de novos agentes de pastoral e preparasse as celebrações litúrgicas com maior afinco. Perante centenas de fiéis que lotaram o templo, D. Jorge Ortiga referiu que, «depois da remodelação, que denota qualidade, esforço e dedicação, é necessário dar toda a dignidade às celebrações que a igreja vai acolher ». Por isso, «seria bom que os paroquia-nos não se vangloriassem, nem fugissem das suas responsabilidades pastorais», acrescentou o prelado bracarense, que, antes da Missa benzeu o templo e a nova pia baptismal. Classificando a ocasião como uma «Eucaristia de compromisso», o Arcebispo Primaz afirmou que a reabertura ao culto da igreja devia evitar a rotina e o peso das celebrações. Assim, numa referência ao Ano da Eucaristia, que terminou na semana passada, o D. Jorge Ortiga disse que «pelo contrário, a Missa é um acontecimento único, que exige dedicação e algum trabalho preparatório. As nossas celebrações têm de ter outro esplendor». «A Missa é de todos os cristãos e não só do padre. Importa que todos ajudem se disponibilizem por engrossar os grupos que a animam, tal como os leitores, cantores, zeladoras e ministros da comunhão», explicou o Arcebispo Primaz, que recordou uma frase do discurso final do Papa Bento XVI, proferida no encerramento do Sínodo dos Bispos, que se realizou recentemente em Roma: «A Eucaristia é uma fonte que jorra vida». «Cada um deve fazer jorrar a vida proporcionada pela Eucaristia nas empresas, famílias, cafés, campos, escolas e universidades. A evangelização passa também pela criação ou reforço de instituições de caridade e associações existentes», e sustentou o prelado, que não deixou de exortar os presentes a apostarem na formação de novas lideranças, através da catequese de crianças, jovens e adultos. Finalmente, D. Jorge Ortiga agradeceu, de forma especial, o contributo de cerca de 110 mil Euros do euromilionário Domingos Oliveira, cujo nome consta da placa descerrada antes da celebração eucarística. Donativo aliviou sobrecarga À margem da celebração, Domingos Oliveira contou ao Diário do Minho que o donativo permitiu que se recuperasse alguns bancos e se adquirisse os vitrais e arranjos florais. Visivelmente satisfeito com a reabertura da igreja paroquial, o benemérito referiu que «o povo já estava bastante sobrecarregado e, depois de conversar com a minha esposa, decidimos ajudar inicialmente com uma quantia de 50 mil Euros. Penso que também foi um alívio para a freguesia, que, de outra forma, não teria a possibilidade de terminar a empreitada». Por seu turno, o pároco de Guardizela disse que se sentia «realizado por ter cumprido os objectivos» assumidos há 11 anos. «Disse que recuperaria o património paroquial existente e conseguiu-se restaurar a residência paroquial, a capela de Santa Luzia e a igreja », explicou o padre Joaquim Carneiro. Agradecendo «o apoio, entrega e dedicação» das pessoas envolvidas, o sacerdote não se esqueceu de mencionar a primeira benfeitora (Ana Vieira), já falecida, que, «há muito tempo, doou 500 contos». Refira-se que os fundos arrecadados serviram para restaurar o pavimento e os altares, e aumentar o retábulo- mor. As paredes foram pintadas. O padre Joaquim Carneiro explicou que «os vitrais aludem aos sete sacramentos da Igreja, excepto o vitral da torre sineira que tem um motivo relacionado com o canto litúrgico».
