Encontro reuniu mais de 300 participantes em Braga A figura do Irmão Roger Schutz, fundador da Comunidade Ecuménica de Taizé, na França, marcou o VII Fórum Ecuménico Jovem, que decorreu este sábado no Seminário de Nossa Senhora da Conceição, em Braga. Recordado durante a celebração, que reuniu cerca de três centenas de jovens católicos, anglicanos, presbiterianos e metodistas, o religioso suíço, assassinado no passado dia 16 de Agosto, foi classificado como «um verdadeiro exemplo ecuménico». À margem da celebração, o padre espiritano Tony Neves explicou que «uma das actividades mais marcantes promovida pelo Conselho Português das Igrejas Cristãs (COPIC) foi uma Peregrinação Ecuménica a Taizé. Por isso, este Fórum é [foi] também uma profunda homenagem ao Irmão Roger». Por seu turno, D. Antonino Dias, Bispo auxiliar de Braga classificou a iniciativa como «um encontro de graça e unidade, onde todos puderam expressar os mesmos sentimentos ». A propósito, o Diário do Minho conversou com a pastora Eva Michel, da Igreja Presbiteriana, que rejeitou a ideia de uma futura fusão das diferentes Igrejas cristãs. «Entre uma suposta fusão e as guerras religiosas dos séculos passados, existe um conjunto de iniciativas comuns que podem ser organizadas, tal como este tipo de encontros. Neles, pode ser incrementado o conhecimento mútuo, que cria a confiança recíproca. Num clima de pessimismo, é também muito importante encontrarmos motivos de esperança e as nossas raízes comuns», defendeu a responsável presbiteriana, cuja Igreja está presente de forma mais visível na zona da Grande Lisboa, no Centro e nos arquipélagos portugueses. «Na altura em que as Igrejas Protestantes se começaram a estabelecer em Portugal decidiu-se que ficaríamos instalados mais a Sul por possuirmos muitos aspectos que são comuns aos da Igreja Metodista. Porém, não se pode falar de um acordo formal», enfatizou a pastora Eva Michel. Por seu turno, o Bispo Sifredo Teixeira disse que «a Igreja Evangélica Metodista se encontra em Portugal há 134 anos, com cem mil membros nas Zonas de Aveiro, Braga, Lisboa e Porto. Sobre o Fórum, o responsável recordou que «a unidade significa o reconhecimento da diversidade. Ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, cada Igreja vai manter as suas características». O desafio da separação Igreja/Estado O crescimento da mentalidade laicista, que preconiza a separação total das actividades do Estado e da Igreja, também tem preocupado o Bispo Sifredo Teixeira «quando se sente o movimento que procura afastar as pessoas da sua religiosidade, da sua busca de Deus. Na essência da humanidade está esta relação com o divino e continuaremos a defender este aspecto fundamental». Por outro lado, D. Fernando Soares classificou a separação institucional como «uma grande oportunidade ». O prelado da Igreja Lusitana Apostólica Evangélica (Anglicana) explicou que existe «uma corrente política que procura defender uma separação clara entre o exercício da função do Estado e a actividade religiosa. Não estou contra isso, porque liberta a Igreja de determinados compromissos assumidos ao longo dos séculos que, em vez de serem um anúncio verdadeiro da paixão de Deus pelos homens, são anúncio de poder. Negativo é o facto de, a par deste movimento, existirem determinadas pessoas, particularmente a classe jornalística, que por possuírem uma formação religiosa deficiente, avançam para o tratamento dos aspectos religiosos como se as Igrejas fossem uma IPSS, uma fundação ou outro organismo qualquer. Assim, tudo o que se passa no seio das Igrejas, a não ser os escândalos, não são mediatizados ». O Bispo anglicano afirmou, ainda, que «as Igrejas se devem assumir como parte da sociedade e que a sua vivência também deve prever a relação com os não-crentes. Por isso, o Estado deixou-nos o desafio de olharmos para estas pessoas – e só Deus sabe porque é que não acreditam! – e explicitarmos a compaixão que Deus tem por elas. É no nosso serviço e através das nossas palavras, sem desejo de controlar, que se encontra a riqueza do anúncio cristão». dista de Portugal se encontra em Portugal há 134 anos e possui cerca de mil membros das zonas do Porto, Braga, Aveiro e algumas comunidades em Lisboa».
