Eucaristia implica mudança de comportamentos pessoais e sociais

Lições do Sínodo Na manhã desta terça feira interveio na assembleia sinodal o segundo delegado português, D. António Marto, Bispo de Viseu. O prelado salientou que o declínio na frequência na missa dominical é um indicador do enfraquecimento da fé e do afecto em relação à Eucaristia, falando de “uma necessidade eucarística”. D. António Marto centrou a sua intervenção no binómio eucaristia e evangelização salientando a urgência de um projecto de evangelização de amplo alcance contemplativo e missionário que brote da Eucaristia, e para o qual considera essencial “realçar a relação existente entre Eucaristia e as aspirações profundas do coração do homem contemporâneo”. “A Eucaristia é também para o mundo. A assembleia eucarística, além de ser um testemunho público de fé, é ainda portadora de uma cultura eucarística, de atitudes e comportamentos pessoais e sociais”, concluiu. Na mesma linha, o Patriarca Latino de Jerusalém, D. Michel Sabbah, falou sobre os temas da justiça e da paz ligados ao Sacramento da Eucaristia. Os conflitos que “desfiguraram” a Terra Santa marcaram a sua intervenção, na qual solicitou uma “reeducação para a Eucaristia” como prelúdio à educação para a paz. O Arcebispo de Dublim, D. Diarmuid Martin, também considerou que a Eucaristia é “um sinal e uma mensagem de esperança numa época do mundo assinalada por muitos receios”. Já o Cardeal Renato Martino, presidente do Conselho Pontifício Justiça e Paz, deu espaço às implicações sociais e políticas da ligação entre Eucaristia e Caridade. A pobreza que atinge milhões de pessoas em todas as latitudes, observou, “é já há muito tempo uma questão social mundial”. “O mistério eucarístico pode inspirar e promover também uma dimensão social e política da Caridade, levando a uma distribuição equitativa dos bens da terra, considerados desde sempre pela Igreja como destinados a todos”, apontou. Segundo o Cardeal Martino, o Sínodo poderia pedir ao Papa uma intervenção pública sobre estes temas com um documento magisterial. Bento XVI, que continua a acompanhar os trabalhos, recebeu esta manhã os 12 representantes de outras Igrejas e Comunidades eclesiais convidados para o Sínodo. Entre eles destaca-se a delegação do Patriarcado Ortodoxo de Moscovo, chefiada pelo Bispo Marc d’Egorievsk, vice-presidente do Departamento para as relações exteriores. Entretanto, as “sínteses temáticas”, realizadas pelos 32 peritos com base nas intervenções dos padres sinodais, já foram concluídas.

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