Delegados fraternos falam esta tarde O Sínodo dos Bispos vai ouvir esta tarde os Delegados Fraternos das outras confissões cristãs, que têm assistido aos trabalhos. A presença destes doze representantes – número que duplica as presenças no último Sínodo –, convidados pelo Papa, é um sinal da preocupação de Bento XVI com o diálogo ecuménico. As intervenções são muito aguardadas, dado que a questão ecuménica da inter-comunhão (possibilidade de comunhão de não-católicos na celebração eucarística) tem estado na ordem do dia durante os trabalhos sinodais, que reúnem prelados de todo o mundo. Esta manhã, o Cardeal Angelo Sodano, Secretário de Estado do Vaticano, aludiu à inter-comunhão e às várias posições sobre o tema, pedindo aos católicos que não se dividam entre si, por forma a “favorecer a unidade com os irmãos separados”. Nesse sentido, sublinhou, “é preciso permanecer fiel à disciplina da Igreja”, que não admite essa possibilidade. O Cardeal Sodano citou a encíclica “Ecclesia de Eucharistia”, de João Paulo II, lembrando que “a celebração da Eucaristia não pode ser o ponto de partida da comunhão, cuja existência pressupõe, visando a sua consolidação e perfeição”. Vários padres sinodais têm abordado o assunto, mostrando uma tímida abertura relativamente à comunhão dos não-católicos. O teólogo da Casa Pontifícia, o Cardeal Cottier, fez questão de vincar, contudo, que essa prática está interdita pelo magistério católico. O Cardeal Walter Kasper, presidente do Conselho Pontifício para a promoção da unidade dos Cristãos, explicou que essa comunhão seria possível em “determinados casos particulares”, enumerados, aliás, no Catecismo da Igreja Católica (nº 1401 – “Quando urge uma necessidade grave, a critério do ordinário, os ministros católicos podem dar os sacramentos Eucaristia, Penitência, Unção dos Enfermos aos outros cristãos que não estão em plena comunhão com a Igreja católica, mas que os pedem espontaneamente: é preciso então que manifestem a fé católica no tocante a esses sacramentos e que apresentem as disposições exigidas”). O Cardeal alemão mostrou-se “pessoalmente convencido” de que, com os critérios existentes se podem resolver “os problemas verdadeiramente pastorais”, que são de grande importância em muitos países.
