Sínodo procura recuperar a «alma» litúrgica sem cair em saudosismos A primeira intervenção portuguesa nas Congregações Gerais do Sínodo mostrou a preocupação de D. Albino Cleto, Bispo de Coimbra, com a perda de sentido nas celebrações no nosso país. Falando aos padres sinodais, um dos dois delegados da CEP apresentou três linhas de reflexão, na sequência do que tinha afirmado à Ecclesia antes da sua partida para Roma. O prelado defende o primado da qualidade sobre a quantidade e lamentou, por isso, que a preocupação dos padres “garantir a Missa” os leve a “negligenciar a qualidade da celebração”. D. Albino Cleto manifestou-se conta a acentuação do aspecto da Eucaristia como convívio, pedindo “uma catequese na qual a comunhão seja, antes de mais, comunhão com o Cordeiro imolado e oferecido”. Por último, o Bispo português manifestou-se, na linha de outras intervenções, a favor de que no esquema ritual da celebração, com o presbítero ausente, não haja aproximação ao modelo da Eucaristia. “Multiplicámos as celebrações dominicais que, na ausência de um padre, são presididas por diáconos ou leigos. É uma bênção, mas a facilidade com que se procede à substituição da Missa por estas celebrações preocupa-me”, admitiu. Já esta manhã, na 13ª Congregação Geral, o Cardeal Julian Herranz, presidente do Conselho Pontifício para os Textos Legislativos, insistiu na ideia de que a Eucaristia “é um direito fundamental, mas não absoluto”. Neste caso, a reflexão centrou-se nos casos de “comportamentos exteriores graves, manifesta e estavelmente contrários à norma moral”. Durante as últimas Congregações Gerais têm sido propostas várias medidas concretas para recuperar o valor da Eucaristia na vida da Igreja: a confissão, a genuflexão, o silêncio, a reverência, o respeito pelo sagrado, tudo o que puder ajudar a dar nova “alma” à Liturgia, evitando “tendências nostálgicas”. A discussão sobre os “abusos litúrgicos” não deve, porém, levar a alarmismos, como os próprios padres sinodais têm feito questão de vincar. O canto gregoriano e os batuques africanos continuam a ter o seu lugar próprio, dentro de uma lógica de inculturação que combata as celebrações monótonas e impessoais – a Eucaristia, como disse um prelado nigeriano, “merece o melhor das nossas culturas”.
