Orientações para a Pastoral Universitária na Europa em discussão Os responsáveis pela pastoral universitária das Conferências Episcopais da Europa asseguram que a Igreja tem de enfrenta novos desafios no mundo do Ensino Superior e estão a procurar o caminho a seguir nas Universidades do Velho Continente. O tema esteve em discussão num encontro que teve lugar de 23 a 25 de Setembro, em Budapeste, com a presença de 70 delegados, entre os quais o Pe. António Bacelar. Em declarações à Agência ECCLESIA, o assistente do Serviço Nacional da Pastoral do Ensino Superior afirma que, neste momento, está concluída a primeira fase da redacção dos “lineamenta” (orientações) sobre a Pastoral Universitária na Europa. “Nos últimos meses, a partir de um esboço geral e contando com o contributo das diversas Conferências Episcopais, chegou-se a uma redacção que será entregue na próxima semana ao Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE), que o deverá promulgar sob a forma de orientações”, explicou. A partir dessa promulgação, cabe a cada país transformar o documento em projectos de carácter local. Todo este trabalho para a criação de uma rede de pastoral universitária tem como plano temporal o ano de 2010, altura em que se conclui o Processo de Bolonha, “com a consolidação deste espaço comum universitário na Europa”. Para o Pe. Bacelar, a Igreja é desafiada por todo este processo em dois aspectos fundamentais da sua pastoral: “o primeiro é a crescente mobilidade, decorrente do estabelecimento de um sistema europeu de créditos; o outro é perceber o rumo que a organização dos cursos universitários irá seguir”. “Tudo isto terá implicações do ponto de vista pastoral, exigindo mudanças: a um espaço comum universitário deve corresponder um espaço eclesial onde as pessoas sejam acolhidas. O grande desafio é que a Pastoral Universitária cresça, a nível europeu, e é nisso que estamos empenhados”, assume o assistente do Serviço Nacional da Pastoral do Ensino Superior. Neste contexto de mudança ganha particular relevância a “proposta de um humanismo cristão”. “Há gente com muitas expectativas sobre o papel da Igreja, nos diversos níveis, durante o percurso de formação universitária, para que este tempo de formação seja mais do que formação técnica, mas preparação para um papel activo na vida da sociedade e da Igreja”, aponta este responsável. Encontro Europeu O encontro de Budapeste insere-se na dinâmica criada pelo lançamento do Jubileu de 2000. No último fim-de-semana, vários directores nacionais da pastoral universitária e capelães representaram 24 países europeus numa reflexão sobre o futuro da acção da Igreja no ensino superior. O programa incluiu uma análise da pastoral universitária na Europa e de projectos futuros, passando pela apresentação de um esboço de linhas de acção para esta pastoral, que se deseja em interligação com a pastoral juvenil e com a pastoral da cultura. O impacto da recente Jornada Mundial da Juventude, em Colónia, foi outro dos assuntos em destaque. “Já desde o ano passado tivemos em especial atenção a alta percentagem de universitários que estariam em Colónia”, sublinha o Pe. Bacelar. Parte do encontro foi dedicada ao planeamento de acções futuras, como a IV Jornada Europeia para Universitários (11 de Março de 2006, com o tema “Humanismo Cristão, caminho para uma nova cooperação entre Europa e África”), a Peregrinação do Ícone “Sedes sapientiae”, o III Congresso Mundial para Professores estrangeiros (13-16 de Dezembro de 2005) e o Encontro Europeu de Professores Universitários (Junho de 2007). Nesta última data decorrerá ainda o Encontro Europeu de Adolescentes universitários, subordinado ao tema “Um novo Humanismo para a Europa. Contributo das Universidades”, de modo a, como refere o assistente do Serviço Nacional da Pastoral do Ensino Superior, “permitir, em cada país, a perspectivação de um percurso que tenha um ponto de chegada nesse encontro”.
