O Conselho das Igrejas Cristãs do Rio de Janeiro acaba de lançar um manifesto contra o fabrico e comercialização de armas de fogo neste Estado brasileiro. As Igrejas Católica Apostólica Romana, Episcopal Anglicana, Evangélica de Confissão Luterana, Presbiteriana Unida e Metodista manifestam o seu apoio à Campanha pelo Desarmamento no Brasil, lembrando que a violência no país “é responsável por 11% de todos os homicídios praticados com arma de fogo no mundo”. “Todos os dias constatamos a morte de dezenas de brasileiros e brasileiras, especialmente os pobres, os negros, as pessoas que residem na periferia dos centros urbanos e são socialmente excluídas. Não podemos, sob pena de negar a confissão de fé em Jesus Cristo, o Príncipe da Paz, calar-nos frente a um flagelo que atinge os filhos e filhas do Pai, homens e mulheres, especialmente os jovens que vivem à margem da cidadania”, explica o manifesto. No próximo dia 23 de Outubro a sociedade brasileira será chamada a pronunciar-se no referendo da história do país, sobre a comercialização de armas de fogo e munição no Brasil. Cerca de 121 milhões de eleitores serão convocados a responder “sim” ou “não” à pergunta: “O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?”. As Igrejas Cristãs apelam a um “sim ao desarmamento, à vida, dizendo não a este comércio injusto, apesar de legal, porque se nutre da tragédia”. “Não podemos aceitar o facto da sociedade brasileira, com todos os esforços de que precisa fazer para superar dificuldades económicas e sociais históricas, perder 50 mil cidadãos por ano, vítimas de arma de fogo”, referem os responsáveis religiosos. Em Portugal Quanto mais o mundo fala de paz mais investe na fabricação de armas – é uma ironia dos tempos que correm cujo resultado está à vista, com o aumento da violência um pouco por todo o lado. Os missionários portugueses, por ocasião do Jubileu do ano 2000, decidiram avançar com uma campanha de assinaturas contra o comércio e tráfico das armas ligeiras. Por uma razão simples: elas são a maior fonte de morte e mutilação nas guerras e guerrilhas que continuam a fazer vítimas por esse mundo além, sobretudo nos países mais pobres. A campanha saiu à rua, coordenada pela Associação da Imprensa Missionária e recolheu quase 100 mil assinaturas. Este número ultrapassou, e de que maneira, todas as expectativas mais optimistas. E lá fomos nós entregá-las ao Presidente da Assembleia da República, Dr. Mota Amaral, que acabou por assinar também esta petição ‘contra os comerciantes da morte’. Os tempos passaram e, em 2005, decidimos voltar à carga para saber os resultados práticos da nossa petição. Agora, é mesmo a Comissão Nacional Justiça e Paz a coordenar as operações. E lá fomos nós à Assembleia da República falar com o Presidente que prometeu tomar muito a sério o dossier. O governo português surpreendeu-nos com uma lei que visa restringir o porte de armas e o acesso a munições. Quer combater a proliferação de armas brancas e prevenir fenómenos de criminalidade. Ora, esta decisão do Conselho de Ministros tem mais a ver com incidentes recentes, em Portugal, que levou ao assassinato de um polícia num bairro periférico de Lisboa e a um ataque de gangs na praia de Carcavelos. Mas é um primeiro passo para tomar a sério o dossier das armas. A Comissão Nacional Justiça e Paz avançou, a 22 de Junho, uma audição pública, fazendo uma reflexão sobre o tráfico e a proliferação de armas ligeiras. O tema é sugestivo: ‘por uma sociedade segura e livre de armas’. Neste dossier, há, contudo, muita hipocrisia. As armas dão muito dinheiro a muita gente e seguram até a economia de alguns países. Só me pergunto: quem vai tomar isto a sério se vender armas dá dinheiro e as pessoas que morrem até não nos fazem chorar? Há que apostar numa cultura de vida. O resto virá depois. Pe. Tony Neves, programa “Igreja Lusófona”(www.fecongd.net)
