Bento XVI instalou-se ontem na residência pontifícia de verão de Castel Gandolfo, a cerca de 25 quilómetros de Roma, após 18 dias na região alpina do Vale de Aosta. À chegada, o Papa anunciou aos habitantes locais que irá permanecer “mais de um mês” nessa localidade “bela e antiga”, agradecendo-lhes “pelo afecto e pela amizade”. A Sala de Informação da Santa Sé revelou que a partir do Domingo, 31 de julho, o Papa rezará o Angeles desde a residência estival de Castel Gandolfo. As audiências gerais se serão também retomadas a partir de quarta-feira, 3 de Agosto. Bento XVI permanecerá na residência pontifícia de verão, durante o mês de Agosto. Neste período terá lugar, por outro lado, a primeira viagem do Papa fora da Itália, quando se deslocar à sua terra natal de 18 a 21 de Agosto, para as Jornadas Mundiais da Juventude em Colónia. Em Maio passado, Bento XVI confirmara a intenção de passar o verão em Castel Gandolfo. O palácio apostólico era carinhosamente designado como “Vaticano 2” por João Paulo II e é, curiosamente, maior do que o Estado da Cidade do Vaticano. Os romanos chamam à região onde está inserida a residência pontifícia os “castelos romanos”, por causa das construções que as famílias da nobreza ali levantaram. Cada castelo tem o nome do senhor da fortaleza – no caso da residência pontifícia era a família Gandulfi, natural de Génova. Cerca de 1200, os Gandulfi construíram o seu pequeno castelo que, no século seguinte passou para a família Savelli, a qual manteve esta edificação até 1596. Nesse ano, por causa de uma dívida que a família não conseguiu pagar ao Papa Clemente VIII (1592-1605), a propriedade passou para o Papa e, em 1640, declarada propriedade da Santa Sé. Urbano VIII (1623-1644) decidiu transformar o Castelo na sua residência de verão, adaptando e ampliando a velha fortaleza. Em 1870, com o fim do Estado Pontifício, a residência foi abandonada e esquecida, mas a assinatura dos Pactos Lateranenses (1929) Castel Gandolfo voltou a ser residência estival dos Papas. Nessa altura foram adquiridos o complexo da Villa Barberini e algumas propriedades vizinhas para dar vida à actual exploração agrícola. João Paulo II foi o primeiro Papa que passou vários períodos do ano em Castel Gandolfo e não apenas no final da primavera e verão. Costumava passar ali alguns dias a sós, principalmente após longas viagens apostólicas ou série prolongadas de audiências ou cerimónias litúrgicas. As pessoas que ali trabalham durante todo o anos são cerca de 60, entre jardineiros, tratadores de árvores, agricultores, electricistas e pessoal da manutenção. Apenas 20 pessoas, contudo, residem na propriedade. O heliporto foi inaugurado em 1963, durante uma visita de Paulo VI.
