Bento XVI termina férias no Vale de Aosta

Período marcado por declarações fortes O período de férias de Bento XVI na região italiana do Vale de Aosta chega ao fim esta tarde. Após dezoito dias de descanso na montanha, o Papa partirá, pelas 17h30 (hora local, menos uma em Lisboa) para Roma, de onde seguirá em direcção a Castel Gandolfo. A partir do próximo Domingo, o Papa recitará o Angelus nesse palácio apostólico. As audiência gerais serão retomadas no dia 3 de Agosto. Bento XVI permanecerá na residência pontifícia de verão, durante o mês de Agosto. Neste período terá lugar, por outro lado, a primeira viagem do Papa fora da Itália, quando se deslocar à sua terra natal de 18 a 21 de Agosto, para as Jornadas Mundiais da Juventude em Colónia. O Papa confessou que encontrou, nestes dias, “muita tranquilidade”, mais do que aquela que teria imaginado. O porta-voz do Vaticano, Joaquín Navarro-Valls, já fez um balanço muito positivo destas “férias de trabalho”, nas quais o Papa ultimou a redacção de um livro iniciado há três anos, mas não a sua primeira encíclica do pontificado. Apesar do clima de repouso e de meditação, em Les Combes, Bento XVI manteve a sua atenção dirigida para a actualidade internacional, marcada pelos atentados terroristas em várias partes do mundo. “Nenhum Papa, mesmo em férias, pode deitar para trás das costas a humanidade”, assegurou o porta-voz do Vaticano, lembrando as intervenções do Papa alemão durante as orações dominicais do Angelus, condenando o terrorismo e apelando a que não se considerem os atentados como fruto de um “choque de civilizações”. Apenas o incidente com Israel, por causa da “omissão” do atentado de Netanya, manchou estes dias: o Ministro dos Negócios Estrangeiros de Israel acusou o Papa de ter “deliberadamente” esquecido o país na lista dos locais atingidos por atentados terroristas nos últimos dias, mas Navarro-Valls defendeu que “essa acusação não tem nenhuma base, porque Bento XVI não queria fazer um históricos de todos os atentados do mundo”. Momento alto das férias foi o encontro da passada segunda-feira com o clero do Vale de Aosta. Bento XVI revelou estar a estudar a situação dos divorciados na Igreja, lembrando que estes “não estão excluídos do amor da Igreja, nem do amor de Cristo”. O Papa mostrou-se preocupado com um mundo ocidental “cansado da sua própria cultura”, disse ainda que as Igrejas perdem vida à medida que as sociedades, cada vez mais laicas, “têm menos necessidade de Deus” e que, pelo contrário, há muitos países em vias de desenvolvimento que vivem a “Primavera da Fé”.

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