Decisão pode esfriar relações com a Igreja Católica A Igreja Anglicana no Reino Unido abriu ontem caminho para a ordenação de mulheres como Bispo, uma decisão que suscita grande divisão no seio desta confissão cristã. A maioria dos delegados presentes no Sínodo anglicano em York aprovou o lançamento de um processo que só deverá estar concluído, contudo, daqui há alguns anos. Na Comunhão Anglicana, decisões análogas já foram tomadas pelos sínodos do Canadá, dos EUA, da Austrália e da Nova Zelândia, entre outros. Desde 1994 que as mulheres são ordenadas sacerdotalmente na Inglaterra e quase metade dos seminaristas que se preparam para a ordenação são mulheres. Esta decisão pode esfriar as realções entre a Igreja Católica e a Comunhão Anglicana que tinham sido relançadas com a publicação de um documento conjunto, em Seattle, sobre o lugar e a importância de Maria na Igreja. A declaração “Maria Graça e Esperança em Cristo” foi um passo importante para a normalização das relações entre as duas confissões, bastante afectadas pela ordenação de um Bispo homossexual na Igreja episcopaliana (ramo anglicano nos EUA), como admitiu o próprio Conselho Pontifício para a promoção da Unidade dos Cristãos. Para além da declaração conjunta, fora anunciado que a Comissão conjunta católico-anglicana para a Unidade e a Missão vai retomar os seus trabalhos numa data próxima, anunciou o Vaticano. Os trabalhos deste importante organismo ecuménico tinham sido suspensos em 2003 após a referida ordenação de um Bispo homossexual na Igreja Episcopaliana e da decisão da Igreja Anglicana no Canadá de abençoar uniões homossexuais. Os referidos desenvolvimentos na vida da igreja Anglicana provocaram o congelamento do diálogo entre esta e a Igreja Católica. A decisão afectou, sobretudo, a publicação e recepção de uma declaração conjunta sobre a Fé que tinha sido preparada pela Comissão Internacional Anglicana-Católica Romana para a Unidade e a Missão (IARCCUM).
