As relações entre autoridades religiosas e civis nas tradições judaica e cristã foram objecto de discussão na quinta reunião da comissão bilateral para as relações religiosas entre a Santa Sé e o Grão Rabinato de Israel. Um comunicado conjunto sublinha que este diálogo deve ter como finalidade, antes de mais, “promover os princípios de santidade e dignidade de cada ser humano, melhorando a colaboração entre católicos e hebreus”. Este é um objectivo em que Bento XVI se comprometeu publicamente, na esteira do seu predecessor, João Paulo II do qual foi recordado o histórico contributo para a reconciliação entre as duas partes. A discussão centrou-se na responsabilidade do estado em garantir os direitos de todas as comunidades religiosas. Uma atenção particular foi dedicada à situação e necessidades das comunidades cristãs na Terra Santa, bem como às necessidades das comunidades judaicas no mundo, “facilitando a plena igualdade social e política sem enfraquecer as identidades particulares”. O comunicado é assinado pelo Rabino Shear Yashuv Cohen e pelo Cardeal Jorge Mejía, presidentes das duas delegações. A comissão bilateral reafirma que “os valores religiosos são de uma importância vital para o bem estar do indivíduo e da sociedade” e que o objectivo da autoridade civil “é servir e procurar o bem comum, respeitando a vida e a dignidade de cada indivíduo”. Em tal contexto assinala-se que “é essencial defender a sociedade, mediante a lei, do individualismo extremo e da insensibilidade aos valores culturais e morais das tradições religiosas” O comunicado afirma ainda que a liberdade de religião deve ser garantida, tanto aos indivíduos como às comunidades, da parte das autoridades civis e religiosas. Este comunicado é divulgado precisamente numa altura em que o Governo israelita aprovou o traçado final do “muro de segurança” em redor de Jerusalém Ocidental, que é previsto ficar concluído até Setembro. A barreira vai atravessar e separar dois bairros palestinianos, isolando na zona Leste da obra mais de 50 mil residentes de Jerusalém Ocidental. A Igreja Católica na Terra Santa tem-se manifestado por diversas vezes contra esta construção, que já classificou como “o muro da vergonha”.
