O presidente do Conselho Pontifício Justiça e Paz, Cardeal Renato Martino, lamentou que o Governo espanhol não tenha respeitado a vontade do povo ao aprovar ontem a equiparação legal das uniões homossexuais com o matrimónio. “Trata-se de uma aberração dos princípios que provêm da natureza. Essa decisão não reflete a verdadeira vontade do povo espanhol”, referiu o Cardeal. Aos jornalistas, o membro da Cúria Romana reiterou o apoio da Santa Sé aos esforços da Igreja Católica na Espanha “para proteger o matrimónio e a família”. Também o Cardeal Alfonso López Trujillo, presidente do Conselho Pontifício para a Família, se manifestou contra a decisão do Governo de Zapatero e avançou: “para uma lei iníqua, objecção de consciência”. A Igreja já tinha admitido anteriormente a possibilidade de os funcionários das câmaras municipais e registos civis invocarem a objecção de consciência para não celebrar casamentos entre pessoas do mesmo sexo. A Conferência Episcopal Espanhola (CEE) reagiu ontem à aprovação pelo Parlamento espanhol da lei que permite aos homossexuais casarem e beneficiarem de todos os direitos associados, incluindo a adopção de crianças. “As leis espanholas que regulam o matrimónio tornaram-se radicalmente injustas”, atiram. Perante uma situação que classificam de “penosa e grave”, a CEE desafia a sociedade civil a “sair em defesa do matrimónio, da família e das crianças”. “É necessário opor-se a estas leis injustas por todos os meios legítimos que o Estado de Direito coloca ao dispor dos nossos cidadãos”, escrevem, apelando indirectamente à objecção de consciência ao convidarem os fiéis a “abster-se de qualquer cumplicidade com a injustiça”. O Cardeal López Trujillo declarou não entender “como é que uma proposta destas pode promover a família”, classificando-a como um passo para “a destruição familiar e a falsificação da condição humana”.
