Bento XVI já deu início à sua visita ao palácio do Quirinal, residência oficial do presidente da República Italiana que até 1870 era a residência dos Papas. O Papa deslocou-se a bordo de um Mercedes preto, de tecto aberto com a matrícula SCV 1. Ao longo do percurso, Bento XVI saudou as pessoas que o esperavam à beirada estrada. À chegada ao Quirinal, onde o presidente Carlo Ciampi o aguardava para um colóquio privado, o Papa saudou dois antigos presidentes, Francesco Cossiga e Oscar Luigi Scalfaro, para além de outras figuras do Estado italiano, incluindo o primeiro-ministro Silvio Berlusconi. Esta é a primeira visita de Estado fora do Vaticano. O presidente Ciampi visitou Bento XVI em Maio passado, tornando-se o primeiro chefe de Estado a ser recebido pelo novo Papa em privado. As relações entre o Vaticano e Itália normalizaram-se durante o pontificado de João Paulo II; no dia 14 de Novembro de 2002, o Papa polaco visitou o parlamento italiano, algo que nenhum chefe da Igreja Católica fazia há 150 anos. A viagem de Bento XVI até à residência oficial do Presidente Ciampi reveste-se de um carácter particular, dada a ligação histórica entre o Vaticano e o território italiano. A revisão dos acordos de Latrão, em 1984, abandonou a definição da Igreja Católica como “única religião do Estado”, mas sublinha esta relação especial. A Concordata de 1984, de facto, prevê a colaboração entre a Igreja Católica e a República da Itália “para a promoção do homem e o bem do país”. O encontro de amanhã, ao mais alto nível institucional, vai reforçar este compromisso comum, que passa por oferecer orientações éticas e valores a toda a comunidade civil, como aconteceu no recente referendo sobre a fecundação artificial. Esta é a oitava visita de um Papa a um chefe de Estado Italiano, confirmando as boas relações entre a Itália e a Santa Sé no momento actual.
