Igreja Católica ajuda ao sucesso da Campanha de entrega de armas no Brasil

Chega hoje ao fim a campanha de entrega voluntária de armas no Brasil, apoiada pela Conferência Nacional de Bispos do Brasil (CNBB), que já permitiu recolher quase meio milhão de armas de fogo. Iniciada em Julho de 2004, a campanha foi prolongada até 23 de Junho devido ao sucesso da iniciativa. O site da CNBB (www.cnbb.org.br) contém o texto que orienta sobre os procedimentos básicos para a participação na Campanha de entrega voluntária de armas, que tem como lema: “Acabe com a sua arma antes que ela acabe com você”. A CNBB manifesta a sua aprovação para com este empreendimento porque ele “contribui para a promoção da paz”. No passado dia 21 de Maio, a ONG “Viva Rio”, a CNBB, o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC) e a Visão Mundial promoveram o “Mutirão Nacional de Entrega de Armas”. Nesse dia, Catedrais e Igrejas cristãs das 27 capitais brasileiras e outras cidades estratégicas, abriram as suas portas para receber armas voluntariamente. Mais de 17 milhões de armas de fogo circulam no Brasil. Destas, 51 por cento estão ilegalmente na posse de criminosos ou de particulares que não têm porte de arma, segundo dados de um estudo realizado com o apoio das Nações Unidas. A investigação revela que as armas legais estão nas mãos de civis (cerca de metade), polícias, militares, magistrados, coleccionadores, caçadores e seguranças. A presidência da CNBB escreveu uma carta a todos os Bispos católicos do Brasil convidando-os a apoiarem a iniciativa do Ministério da Justiça, favorecendo a abertura de postos para entrega de armas em espaços ligados às Igrejas. “A entrega da arma perto de uma Igreja é também ocasião para um acto religioso, quase uma confissão, um momento de libertação interior, e para a manifestação do propósito, diante de Deus, da renúncia à violência. Na hora de entregar a arma, há pessoas que sentem a vontade de chorar, de desabafar, de rezar, de falar com alguém para um conforto espiritual”, revela o secretário-geral da CNBB, D. Odilo Scherer. “A promoção de uma verdadeira cultura da paz, mediante a superação de todas as formas de violência, é da responsabilidade de todos. E é muito condizente com o anúncio do Evangelho de Jesus Cristo”, justifica. Em 2002, no Brasil, as balas mataram 38.088 pessoas. Ao longo desse ano, 19.519 indivíduos feridos deram entrada nos hospitais: 42 por cento tinham entre 15 e 24 anos de idade. O país é o primeiro na lista, a nível mundial, com mais mortes causadas por armas deste tipo. Todos os dias, duas crianças são hospitalizadas na sequência de lesões provocadas por armas – são mesmo a principal causa de hospitalização de meninos até aos 14 anos.

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