O Cardeal Walter Kasper, presidente do Conselho Pontifício para a promoção da unidade dos Cristãos, encontra-se em Moscovo de hoje até 23 de Junho. A visita, segundo comunicado oficial do Vaticano, pretende “continuar o diálogo com o Patriarcado Ortodoxo, iniciado por ocasião da solene inauguração do pontificado do Papa Bento XVI”. No início deste mês, o Secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Angelo Sodano, recebera o ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Sergei Lavrov, para uma troca de impressões sobre as relações bilaterais entre a Santa Sé e a Rússia. O encontro permitiu constatar “as cordiais relações e possibilidade de desenvolvimentos posteriores”. Desde o início do pontificado, Bento XVI escolheu como sua primeira missão “a reconstituição da unidade plena e visível de todos os seguidores de Cristo”. O Patriarca Ortodoxo de Moscovo tem respondido com cordialidade às tomadas de posição do novo Papa, algo que não acontecia com João Paulo II: apesar de ter visitado centenas de países, João Paulo II nunca se pôde deslocar à Rússia, por oposição da Igreja Ortodoxa. O seu sucessor encontra um clima de tensão, criado após o desaparecimento da União Soviética: Moscovo acusa os católicos de proselitismo em terras tradicionalmente ortodoxas, particularmente a Bielorússia e a Ucrânia. Em 2000, a situação agravou-se após a criação de quatro dioceses católicas na Rússia. Uma comissão mista foi criada em 2004, após uma visita do Cardeal Walter Kasper, mas ainda não nenhum tipo de acordo sobre os diferendos entre as duas Igrejas.
