A situação no Ruanda, que no ano de 1994 foi palco de um dos mais dramático genocídios da história da humanidade, preocupa Bento XVI, que pede “justiça e perdão” para superar as feridas abertas há mais de 10 anos. Recebendo o novo embaixador desse país junto da Santa Sé, o Papa convidou os líderes políticos no Ruanda a “garantir os direitos fundamentais de todos os cidadãos e permitir, em tempo razoável, que tenham acesso à justiça, para colocar de lado o medo, a vergonha, a impunidade e as desigualdades”. Na sua mensagem, Bento XVI recorda o genocídio de 94 e as profundas feridas que deixou “no tecido social, económico, cultural e familiar do país”, pedindo que sejam asseguradas “condições de segurança que permitam um funcionamento harmonioso das instituições democráticas”. “Como deixar de sentir-se chamado a trabalhar, sem cessar, pela paz e a reconciliação, a fim de preparar um futuro sereno para as gerações presentes e futuras?”, observa o Papa. Para Bento XVI, é necessário esperar que os actuais esforços de reconciliação sirvam para consolidar a unidade nacional, determinando “as escolhas políticas, económicas e sociais capazes de favorecer um desenvolvimento duradouro para o país, a descoberta da dignidade para todos os seus habitantes e o aumento da estabilidade para a região dos Grandes Lagos”. A necessidade de reconciliação foi também apresentada ao novo embaixador do Zimbabwe junto da Santa Sé, a quem o Papa pediu que as autoridades políticas do seu país “consigam, através da democracia, uma boa gestão dos bens públicos”. No discurso entregue ao embaixador da Guiné, Bento XVI deixou um apelo à comunidade internacional, para que “não esqueça o drama dos refugiados africanos”.
