Bento XVI continua a delegar presidência destas cerimónias O Cardeal Józef Glemp, arcebispo de Varsóvia e primaz da Polónia, presidirá no próximo Domingo à beatificação de três polacos, por delegação do Papa Bento XVI. A cerimónia tem lugar na Missa de encerramento do III Congresso Eucarístico Nacional polaco. Entre os futuros beatos está o primeiro mártir do comunismo no país, o Pe. Ladislaw Findysz (1907-1964). O futuro beato foi perseguido “por ter sido considerado inimigo do sistema socialista” e chegou a ser preso em 1963 por ter apelado numa carta aos seus paroquianos ao renovamento da vida religiosa. Após ter sido posto em liberdade, com a saúde já destruída, morreu pouco depois, a 21 de Agosto de 1964. Outro padre polaco que será beatificado no dia 19 é Bronislao Markiewicz (1842-1912), proibido pelas autoridades de trazer para a Polónia a congregação Salesiana. O sacerdote foi pároco e professor de seminário. Em Turim, ingressou na Sociedade Salesiana de São João Bosco. De regresso à Polónia, ocupou-se sobretudo da formação da juventude pobre e órfã. Fundou as Congregações masculina e feminina de São Miguel Arcanjo – aprovadas após sua morte, ocorrida em Miejsce Piastowe em 29 de Janeiro de 1912. O terceiro futuro beato é o sacerdote diocesano Ignácio Klopotowski -nascido em 20 de Julho de 1866 em Korzeniówska-, muito comprometido em actividades socio-caritativas e literárias. Pároco na Varsóvia, fundou as Irmãs da Beata Virgem Maria de Loreto e morreu nesta cidade a 7 de Setembro de 1931. A decisão do Papa Bento XVI de não presidir às cerimónias de beatificação retoma uma tradição interrompida em 1971, quando Paulo VI e depois João Paulo II decidiram passar a presidir a este tipo de cerimónia. O Cardeal Saraiva Martins, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, já explicou à Agência ECCLESIA que não se trata de uma novidade, mas da recuperação de uma “tradição de séculos, que se manteve até 1971”.O Papa Bento XVI irá presidir só às cerimónias de canonização, as únicas que exigem a infalibilidade do Papa e o culto universal do novo santo. De facto, segundo a tradição, não era o Papa quem celebrava as beatificações, nem mesmo quando se realizavam em Roma, na Basílica de S. Pedro. O rito era celebrado por um Bispo e por um Cardeal, delegado do Santo Padre. Foi Paulo VI, precisamente em 1971, que presidiu na Basílica de S. Pedro à cerimónia de beatificação de Maximiliano Maria Kolbe – era a primeira vez que isso acontecia. Depois, por ocasião do Ano Santo de 1975 que viu incrementar as cerimonias de beatificação, Paulo VI tornou estável esta decisão e passou a presidir pessoalmente às beatificações até ao fim da sua vida. A praxe introduzida por Paulo VI foi seguida constantemente por João Paulo II, que até mesmo durante as numerosas e frequentes viagens apostólicas e pastorais nos vários continentes e países começou a efectuar naquelas Igrejas o rito da beatificação, para além das solenes concelebrações eucarísticas.
