Problema da dívida dos países mais pobres precisa de resposta

Santa Sé satisfeita com a decisão dos G8 O Conselho Pontifício Justiça e Paz (CPJP) acolheu “com satisfação” a decisão do G8 de cancelar a dívida dos países mais pobres, afirmou o Dicastério vaticano em comunicado divulgado ontem. O comunicado lembra como a Igreja e o falecido Papa João Paulo II em particular, sempre sublinharam o peso que a dívida externa representa nas esperanças de desenvolvimento de numerosos povos, solicitando, sobretudo na ocasião do Jubileu do ano 2000, precisamente o cancelamento da dívida. “O Conselho Pontifício Justiça e Paz acolhe com satisfação a decisão das oito nações mais ricas do planeta de cancelar 40 mil milhões de dólares devidos por 18 países em vias de desenvolvimento e a intenção de estender a iniciativa a outros 20 Estados”, afirma a nota do CPJP, presidido pelo Cardeal Renato Raffaele Martino. O Dicastério louva em particular o britânico Tony Blair, por ter sustentado a aprovação da iniciativa nas vésperas da Reunião do G8 em Julho, na Escócia”. Segundo o CPJP, “a decisão de cancelar a dívida é um claro sinal de solidariedade que as nações ricas devem demonstrar para aqueles que vivem nos países em vias de desenvolvimento”. Por outro lado, o Conselho “exorta os governos do norte do mundo a cumprir os compromissos assumidos nos últimos 30 anos, a partir da aplicação de 0,7% do PIB nas políticas de desenvolvimento do Terceiro Mundo”. De acordo com a mensagem, os países desenvolvidos devem comprometer-se a cumprir os objectivos de desenvolvimento para o milénio, aprovados pelas Nações Unidas em 2000. O CPJP deseja que o cancelamento da dívida seja apenas “o primeiro de muitos passos” dos países desenvolvidos no caminho de uma autêntica solidariedade com os países em desenvolvimento. Bispos e missionários cautelosos Satisfação, mas também alguma prudência caracterizam as reacções recolhidas pela Agência Fides junto de alguns responsáveis da Igreja africana e latino-americana e do mundo missionário sobre a decisão dos países do G8. A expectativa de todos é que os recursos disponibilizados sejam utilizados na construção de escolas, hospitais, e no real desenvolvimento dos cidadãos daqueles países, e não na compra de armas ou para o enriquecimento dos governantes locais. “Estamos obviamente ao lado do G8”, referiu D. Berhaneyesus Demerew Souraphiel, C.M., Arcebispo de Addis Abeba e Presidente da Conferência Episcopal da Etiópia e Eritreia. O purpurado fez parte da delegação de cardeais e bispos católicos, que, no final de Maio, viajou pela Europa para pedir o cancelamento da dívida dos países mais pobres. Além deste, constituíam a delegação o Cardeal Telesphore Toppo, Arcebispo de Ranchi, na Índia; Cardeal Óscar Maradiaga, Arcebispo de Tegucigalpa, nas Honduras; D. John Onaiyekan, Arcebispo de Abuja, na Nigéria; e D. Medardo Mazombwe, Arcebispo de Lusaka, na Zâmbia. “Os nossos pedidos foram atendidos. Insistimos para que os países mais ricos se comprometessem por um real desenvolvimento das áreas mais pobres do planeta, destinando anualmente a este objectivo 0,7 por cento de seu Produto Interno Bruto”, explicou o Arcebispo de Addis Abeba.

Partilhar:
Scroll to Top