O Brasil recordou ontem a Ir. Dorothy Stang, missionária assassinada na Amazónia, no dia em que teria completado 74 anos. Organizações de Direitos Humanos, entre elas a Comissão Pastoral da Terra (CPT) do episcopado brasileiro, realizaram um acto simbólico em Brasília com objectivo de pedir a federalização do crime contra a religiosa, denunciar a violência gerada pelos negócios em torno do latifúndio, os assassinatos no campo, a falta de política de reforma agrária, de política ambiental e em defesa da Amazónia. Várias organizações temem que esteja a acontecer uma mudança de rumo no caso do assassinato de Ir. Dorothy Mae Stang, com a criminalização das testemunhas de acusação. Isso poderia provocar atrasos processuais e até mesmo a libertação dos acusados. A responsável pela Pastoral Social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Irmã Delci Franzen, lançou uma campanha nacional e internacional em favor da federalização das investigações sobre o assassinato da missionária Dorothy Stang, ocorrido a 14 Fevereiro em Anapu, no estado do Pará, Amazónia. A Irmã Delci sugeriu que as pessoas interessadas no caso enviem cartas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao ministro do STJ, Arnaldo Esteves, que analisa o pedido do procurador-geral, pedindo a federalização do inquérito, ou seja, o deslocamento da jurisdição sobre o caso da Justiça do Estado para a Justiça Federal. A decisão é política, já que retira ao governo e à justiça do estado do Pará a responsabilidade de apurar e julgar o crime. Dorothy Stang, de 74 anos, foi morta com seis tiros à queima-roupa por atiradores a soldo de um fazendeiro. A religiosa vivia há mais de 30 anos na região, onde trabalhava em defesa dos direitos humanos e do ambiente, e tinha já recebido diversas ameaças de morte. Nas margens do rio Anapu, a Ir. Dorothy Stang desenvolvia um projecto agrícola ecológico com a população dos sem-terra.
