D. António Carrilho, presidente da Comissão Episcopal para o Apostolado dos Leigos, faz um balanço da acção pastoral da Igreja junto da juventude ao longo do ano pastoral que se apresta a terminar. ECCLESIA – A Igreja continua a ter como preocupação congregar os jovens? D. António Carrilho – Sem dúvida, é uma preocupação que já vem de trás e continuará sempre. Os jovens estão em crescimento, em fase de amadurecimento, pelo que têm de ser ajudados, apoiados. A Igreja não pode esquecer as propostas que tem, em particular em termos de ideal de vida, de sentido para a vida, e de valores. E – Essa proposta está a ser aceite? AC – É difícil dizer se sim ou não, de forma categórica. Está a ser aceite por muitos, haverá dificuldades por parte de outros e as razões são múltiplas: desde as razões de ambiente socio-cultural, até ao apoio que têm na comunidade cristã ou na família. É importante verificar que os jovens, quando se enquadram em grupos que procuram aprofundar a fé, com projecto e motivações nesse campo, têm maior facilidade em acolher os ideias e propostas que lhes são feitas. E – Em Ano de Eucaristia, os jovens parecem ainda longe dela, as igrejas estão vazias. O que é que se passa? AC – Em meu entender não se tem feito uma iniciação à Eucaristia, como deveria fazer-se, nem mesmo nas catequeses da infância e da adolescência. Mesmo que seja difícil, é preciso apostar nessa iniciação. O último Fátima Jovem, por exemplo, contou, na Vigília da Noite, com uma grande celebração eucarística, no sentido de ajudar a (re)descobrir a Eucaristia, motivar para participar e ajudar a descobrir as vivências do dia a dia em que a Eucaristia se deve manifestar. E – O Conselho Nacional da Pastoral Juvenil, órgão recentemente criado, pode ajudar a dar um novo fôlego à acção da Igreja neste campo? AC – Eu tenho esperança nisso. O Conselho é recente, enquanto órgão estruturado, mas já vinha preparado e quase que em funcionamento, com os mesmos objectivos, através de encontros que se faziam entre os secretariados diocesanos e responsáveis de instituições que se dedicam aos jovens. Estamos a dar passos, como esta segunda reunião, e há possibilidade de conseguir congregar mais movimentos. A comunhão na diversidade é fundamental na Pastoral Juvenil. E – Este Conselho irá coordenar as actividades de cada ano, a nível nacional? AC – Prevê-se que o calendário de actividades passe pelo Conselho Nacional, na medida que queremos envolver todos os movimentos em algumas iniciativas concretas. De modo nenhum se deseja paralisar a actividade que é específica de cada um dos movimentos da Igreja, mas gostaríamos de ver algumas actividades de conjunto e, sobretudo, que tudo aquilo que se vá realizando se faça em comunhão. E – Os jovens estão preparados para as responsabilidades laicais do amanhã? AC – Tudo estamos a fazer para isso. No Conselho Nacional da Juventude estivemos a fazer a memória do legado que o Papa João Paulo II nos deixou relativamente a aspectos que consideramos importantes na Pastoral Juvenil, desde o impulsionamento missionário, àquela ideia do Santo Padre de criar os “laboratórios de fé”. A nossa preocupação será criar espaços para experiências de fé, para crescimento nessa mesma fé. E – Como será a Jornada Mundial da Juventude sem o Papa João Paulo II AC – Eu penso que a próxima Jornada será mais um grande passo em que se projecta o que vem de trás e se vai acolher o que haverá de novo. Há uma boa motivação e mobilização: muitos jovens com muito gosto em se encontrarem com o novo Papa, o Papa Bento XVI.
