Pastorinhos de Fátima, carisma mariano

O Secretariado dos Pastorinhos publicou a obra “O carisma dos pastorinhos de Fátima”, da autoria do Pe. Jorge Guarda, obra que fala da “força de Deus na pequenez humana”. Ao longo de 155 páginas o leitor é desafiado a perceber como é que as crianças da Cova da Iria conseguiram ser instrumentos e sinais escolhidos por Deus para manifestar a sua misericórdia e Bondade. A história das aparições do Anjo e de Nossa Senhora são, certamente, familiares para quase todos os portugueses. A questão neste livro é a de perceber a missão dos Pastorinhos nessa mesma história: os relatos apresentados coincidem ao afirmar que os videntes pareciam esquecer-se da sua “condição infantil” e assumiram a fundo a missão que lhes tinha sido confiada, manifestando inclusive a vontade de oferecer as suas vidas para a salvação dos homens. O Pe. Jorge guarda começa por explicar, no capítulo inicial, a questão das Graças, carismas e dons especiais, para prosseguir a sua reflexão com um capítulo dedicado ao tema “crianças, sinais e instrumentos de Deus”. Como seria de prever, o corpo central da obra versa sobre as aparições de Fátima e os três Pastorinhos. O contexto em que irrompe a manifestação divina é particularmente difícil e os protagonistas escolhidos são, surpreendentemente, três crianças de uma aldeia serrana. É sobre este paradoxo que o Pe. Jorge Guarda constrói a sua explicação do carisma mariano dos Videntes: como puderam ser ouvidas e acreditadas? Como conseguiram manter-se firmes e fiéis nas suas afirmações, sem se desdizerem perante pressões e ameaças? “A explicação só a podemos encontrar na especial graça de Deus que lhes é dada e neles age vigorosamente”, responde-se no livro. Como refere o autor, os Pastorinhos “são para a Igreja um sinal e um testemunho do poder da graça de Deus sobre a humanidade, das maravilhas que Ele faz em quem vive na fé”. João Paulo II, aquando da beatificação de Francisco e Jacinta, lembrava que também em Lourdes Nossa Senhora tinha escolhido uma criança como destinatária da sua mensagem. “Elas acolheram-na de modo tão fiel que mereceram, não só serem reconhecidas como testemunhas credíveis, mas elas mesmas se tornaram exemplo de vida evangélica”, dizia o Papa polaco. O livro consegue o objectivo a que o autor se propunha logo de início: mostrar a perfeita sintonia entre a correspondência dos videntes e o “dom singular” que receberam. “As crianças não foram beneficiárias passivas, mas souberam aderir activamente à acção divina que nelas se manifestou e com ela colaborar fiel e generosamente”. Assim se explica o carisma mariano dos Pastorinhos.

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