Papa ordena presbíteros de Roma no Domingo As religiosas Ascensión del Corazón de Jesus e Mariana de Molokai vão ser beatificadas amanhã, numa cerimónia presidida pelo Cardeal português José Saraiva Martins. A cerimónia de beatificação, a primeira do pontificado de Bento XVI, começa às 17h00 (16h00 em Lisboa) na Basílica de São Pedro. O prefeito da Congregação para as Causas dos Santos lerá a carta apostólica em que Bento XVI inscreve os nomes das duas religiosas no livro dos beatos. A futura beata espanhola Ascención Nicol Goñi nasceu em 1868, em Tafalla (Navarra, norte de Espanha,) e entrou na ordem das Religiosas Dominicanas da Terceira Ordem de Huesca, onde foi professora e directora do colégio anexo ao mosteiro. Partiu depois para o Peru, onde fundou, com o bispo dominicano Ramón Zubieta, a ordem das Irmãs Missionárias Dominicanas do Rosário, da qual foi a primeira superiora-geral, vindo a falecer em Pamplona (Navarra) em 1940. Madre Mariana de Molokai (Maria Ana Barbara Cope), que nasceu em 1838 e morreu em 1918, pertenceu à Terceira Ordem Franciscana de Siracusa (Nova Iorque). A decisão do Papa Bento XVI de não presidir às cerimónias de beatificação retoma uma tradição interrompida em 1971, quando Paulo VI e depois João Paulo II decidiram passar a presidir a este tipo de cerimónia. O Cardeal Saraiva Martins explicou hoje à Agência ECCLESIA que não se trata de uma novidade, mas da recuperação de uma “tradição de séculos, que se manteve até 1971”.O Papa Bento XVI irá presidir só às cerimónias de canonização, as únicas que exigem a infalibilidade do Papa e o culto universal do novo santo. De facto segundo a tradição, não era o Papa quem celebrava as beatificações, nem mesmo quando se realizavam em Roma, na Basílica de S. Pedro. O rito era celebrado por um Bispo e por um Cardeal, delegado do Santo Padre. Foi Paulo VI, precisamente em 1971, que presidiu na Basílica de S. Pedro à cerimónia de beatificação de Maximiliano Maria Kolbe – era a primeira vez que isso acontecia. Depois, por ocasião do Ano Santo de 1975 que viu incrementar as cerimonias de beatificação, Paulo VI tornou estável esta decisão e passou a presidir pessoalmente às beatificações até ao fim da sua vida. A praxe introduzida por Paulo VI foi seguida constantemente por João Paulo II, que até mesmo durante as numerosas e frequentes viagens apostólicas e pastorais nos vários continentes e países começou a efectuar naquelas Igrejas o rito da beatificação, para além das solenes concelebrações eucarísticas. “Agora volta-se à tradição e penso que é bom, porque fica mais clara a diferença entre beatificação e canonização”, assinala o Cardeal português da Cúria Romana. A cerimónia de amanhã marca a Vigília de Pentecostes. No Domingo, na mesma Basílica de São Pedro, a festa do Espírito Santo será assinalada com uma Missa durante a qual terão lugar ordenações presbiterais dos diáconos da Diocese de Roma, presididas por Bento XVI
