Igreja quer valorizar presença nos Media

Novo presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais fala à Agência ECCLESIA dos desafios da presença eclesial nestas áreas Agência ECCLESIA – A reformulação dos órgãos da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) junta na mesma comissão as áreas da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais. É uma opção de risco? D. Manuel Clemente – O desafio agora é, realmente, o de continuar o trabalho que cada uma das comissões desempenhava, mas dando-lhe uma unidade, para que a comissão funcione no singular e não seja apenas a junção de três trabalhos separados como se faziam até aqui. Vamos ver se conseguimos fazer de maneira mais interligada o que se fazia de maneira mais específica em três comissões distintas. AE – A equipa já está formada? MC – Já constitui uma comissão episcopal que integra alguns Bispos ligados a estes assuntos: D. Albino Cleto, que já era o presidente da Comissão Episcopal dos Bens Culturais; D. Manuel Felício, que trabalhava na Comissão Episcopal da Cultura, e D. Carlos Azevedo que, além de ser secretário da CEP, é uma pessoa de valor reconhecido na área dos Bens Culturais e da valorização do Património. Continuamos, ainda, a contar com a colaboração das pessoas que estavam nos diversos secretariados nacionais: o Pe. António Rego nas Comunicações Sociais; o Pe. Nuno Aurélio nos Bens Culturais e o Pe. Tolentino Mendonça no da Cultura. Além disso, o trabalho que se fazia no âmbito da Episcopal das Comunicações Sociais com a comissão de consultores, que considero notável, será continuado e alargado, com contributos de pessoas das diversas áreas, em geral leigos, que são a seiva da actividade permanente da própria Comissão. AE – Os projectos e opções da Igreja nestas áreas geram sempre muito interesse. Será um desafio suplementar? MC – Temos de perceber, em primeiro lugar, o que é o campo específico de uma Comissão Episcopal: ela não é a vida da Igreja em Portugal, mesmo nestes sectores, porque o que a Igreja tem de mais determinante é feito em âmbito diocesano. O âmbito específico desta Comissão é o de potenciar o que se faz nas Igrejas particulares, como aliás muita coisa é potenciada desde Roma, nos Dicastérios e serviços centrais da Igreja onde se fazem reflexões que são enviadas para todo o mundo. A nível nacional, aquele em que nos colocamos, iremos continuar a formar e dar possibilidades de formação e encontro aos diversos agentes pastorais que funcionam nestas áreas. Por exemplo, temos já programadas para Junho as Jornadas da Pastoral da Cultura, que se vão realizar com os nossos interlocutores normais nas Dioceses, sobre um fenómeno da maior importância cultural que é o do entretenimento. Em Setembro terão lugar as Jornadas habituais para a Comunicação Social, este ano incidindo sobre uma temática da maior oportunidade, que são as perspectivas cristãs sobre a actividade política. Em tempo de várias consultas eleitorais, vamos proporcionar aos jornalistas que se queiram associar um conjunto de reflexões e de sugestões que os podem ajudar a executar as suas actividades. AE – Há novidades programadas? MC – Há outras actividades mais ou menos pensadas, em relação aos três campos. Na Cultura, por exemplo, esperamos criar um prémio nacional que distinga alguma obra no campo literário que seja relevante para a vida religiosa e cultural. Como disse, a sugestão permanente que o grupo alargado de consultores vai fazer irá motivar muitas coisas mais. AE – Os meios que a Igreja Católica tem ao seu dispor em Portugal são suficientes para fomentar uma cultura mediática? MC – Eu penso que são valorizáveis. Suficientes nunca serão, até porque estas coisas na Igreja passam-se com uma enorme economia de meios materiais e humanos – pouca gente acaba por fazer muita coisa. A experiência mostra, contudo, que o facto de haver alguém que convoque, que chame, que proporcione encontro, acaba por gerar agentes que executem as ideias. Diz-se que da discussão nasce a luz e do encontro, também, nascem os meios de efectivar as ideias, pelo que estamos com esperança. Trabalhamos com gente de todas as idades, mas todos muito motivados e isso é garantia de que vamos prosseguir com vontade e, certamente, com alguma realização.

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