A África e a Europa

Lisboa será nos próximos tempos o centro das atenções no que diz respeito à colaboração entre a África e a União Europeia. Quando tiver início a 2ª Cimeira UE-África (programada para 4 de Abril de 2003), já a Igreja dos dois continentes se terá reunido para um colóquio no Centro CONFHIC, nos dias 27 e 28 de Fevereiro, para reflectir sobre o tema “A África e a União Europeia – Parceiros na solidariedade”. A contribuição da Igreja passará, como explicou já em Dezembro o Secretariado da Comissão dos Episcopados da Comunidade Europeia (COMECE) por quatro grandes temas. O primeiro assunto a merecer destaque é a dívida externa e governação interna. Constata-se que o fardo da dívida externa constitui um dos principais obstáculos ao desenvolvimento durável da África e encontrar a maneira de se libertar dela de maneira eficaz será um dos maiores desafios da cimeira de Lisboa. Por outro lado, os países devedores da União Europeia insistem igualmente no facto de que medidas para travar a corrupção e melhorar a governação interna são indispensáveis se a redução da dívida quer ser eficaz. A Igreja irá abordar a questão do diálogo entre as culturas e as religiões como forma de vincar que as relações entre a África e a Europa não se limitam aos aspectos económicos e políticos. Para além da redução da dívida, o ponto sensível na ordem do dia da cimeira será, sem dúvida, a questão da restituição dos bens culturais exportados ilegalmente. As tradições culturais, como aquelas que se referem ao lugar da mulher na sociedade, são também fundamentais para alguns pontos na ordem do dia, especialmente os direitos do homem e a SIDA. O actual quadro internacional torna impossível que não se fale de paz e conflitos: os conflitos violentos entravam severamente a capacidade da África em se desenvolver. Isto reflecte-se na decisão que permita à União Africana empreender missões em favor da paz e encorajar os seus Estados membros a intervir em caso de crime de guerra ou de crime contra a humanidade. A União quer igualmente atribuir mais importância a este aspecto da sua parceria com a África. Além disso, a cimeira de Lisboa produzirá uma declaração sobre o terrorismo. O último tema em que a Igreja irá insistir relaciona-se com os problemas da Vida e Saúde, insistindo na convicção de que a segurança alimentar, um meio ambiente sadio e uma boa qualidade de vida não são apenas evidências mas também condições para o desenvolvimento humano. As pandemias de doenças transmissíveis, e especialmente a SIDA, agem como um enorme travão ao desenvolvimento da África. Não tendo os meios para produzir os alimentos e os medicamentos de que os seus povos têm necessidade, os Estados Africanos procuram resolver uma crise em vez de construir as bases de um futuro melhor. A Cimeira de Lisboa será, por tudo isto, uma oportunidade que a Igreja não deixará passara para vincar uma intenção clara: que a UE assuma as suas responsabilidades em relação ao desenvolvimento do continente africano.

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