A Missa de inauguração do Pontificado de Bento XVI, no próximo Domingo, será o momento em que lhe serão consignados o Anel do Pescador e o Palio Petrino. A cerimónia terá lugar na Praça de São Pedro, pelas 10h00 (menos uma em Lisboa) e será concelebrada pelos Cardeais. Uma multidão estimada de 500 mil pessoas presenciará o início do “ministério petrino” do Bispo de Roma. “A Igreja que está em Roma e nas várias partes do mundo é convidada a dirigir a Deus um filial agradecimento e súplicas fervorosas para obter ao Romano Pontífice copiosas graças no seu Ministério, para o bem de toda a Igreja”, refere o comunicado oficial da Santa Sé hoje divulgado. O Anel do Pescador (Anulus piscatoris) faz parte das insígnias oficiais do Papa, sucessor do Apóstolo Pedro, pescador da Galileia. O Cardeal Camerlnego, D. Eduardo Martínez Somalo, colocará o anel na mão esquerda do novo Papa durante a cerimónia. Feito em ouro, o Anel do Pescador tem uma representação de São Pedro num barco, a pescar, o nome do Papa em volta da imagem. Este não é o anel que os Papas costumam utilizar na mão direita (anel conciliar, feito em prata). A primeira referência documental a esta insígnia aparece no ano de 1256, numa carta de Clemente IV a um sobrinho, na qual aquele declara que os Papas costumavam selar as suas cartas privadas com “o selo do Pescador”, enquanto os outros documentos se distinguiam pelas bulas. Desde o séc. XV a 1842, o Anel era utilizado para selar todos os documentos oficiais redigidos ou aprovados pelo Papa. Aquando da morte do Papa, o Anel é destruído com um martelo de prata pelo Cardeal Camerlengo, num gesto que hoje tem o significado de sublinhar que no período da Sé Vacante ninguém pode assumir prerrogativas próprias do Bispo de Roma. Ainda no Domingo, Bento XVI receberá o Pálio petrino (faixa de lã branca com seis cruzes pretas de seda envergada pelo Papa). Trata-se de uma insígnia litúrgica de “honra e jurisdição” que é abençoada pelos Papas na solenidade de São Pedro e São Paulo, a 29 de Junho. Os pálios são também envergados pelos Arcebispos Metropolitanos nas suas Igrejas e nas da sua Província eclesiástica. Esta insígnia é feita com a lã de dois cordeiros brancos benzidos pelos Papas na memória litúrgica de Santa Inês, a 21 de Janeiro. Um dos cordeiros vai enfeitado com flores brancas, símbolo da virgindade da Santa, e outro com flores vermelhas, símbolo do seu martírio. Santa Inês, cujo nome latino (Agnes) se associa à palavra em Latim para cordeiro (agnus), está enterrada na basílica a ela dedicada, na Via Nomentana em Roma, e é para lá que são levados os cordeiros após a bênção papal.
