«Muro da vergonha» na Cisjordânia está a criar problema humanitário

Denúncias da Igreja Católica na Terra Santa O responsável pela Custódia Franciscana na Terra Santa denunciou hoje que a construção do “muro de segurança” na Cisjordânia, por parte do governo israelita, “está a criar um verdadeiro problema humanitário”. Fr. Pierbattista Pizzaballa manifestou a sua preocupação numa mensagem enviada ao seminário internacional “O muro israelita na Cisjordânia: números e factos”, promovido em Roma pela Cáritas Italiana. “O muro de separação divide as famílias, afastando-as dos seus campos, dos meios de subsistência, e isola mesmo as instituições religiosas. Quem já teve oportunidade para visitar as áreas onde o muro foi construído pôde experimentar a frustração e a humilhação suportada todos os dias pelos palestinianos nos postos de controlo”, esclarece este Franciscano. Os “checkpoints” impedem a população de chegar normalmente aos seus postos de trabalho e locais de estudo, ou mesmo a casa de familiares. Fr. Pizzaballa considera descreve a situação como “uma realidade terrível”. A ONU e o Tribunal Internacional de Justiça já condenaram a construção do muro da Cisjordânia. Para a Igreja na Terra Santa, esta barreira constitui “um problema ético, mesmo para a sociedade israelita, que não deve continuar a ignorar o sofrimento causado por esta construção”. O Custódio Franciscano não nega, contudo, “o direito legítimo e indiscutível à segurança dos cidadãos israelitas”. “Os israelitas não devem ser deixados sós, porque o medo não se vence sozinhos”, acrescentou. Na iniciativa da Cáritas italiana foram apresentados números que ilustram os problemas levantados por esta situação: 750 checkpoints na Cisjordânia; 2,1 milhões de árvores abatidas; 2702 casas demolidas em Gaza e 15360 palestinianos sem habitação em Rafah; 7705 palestinianos presos em Israel; 5000 estudantes que abandonaram os seus cursos para não atravessar os pontos de controlo militares; 700 crianças assassinadas. As organizações de defesa dos direitos humanos explicaram que o maior problema na Palestina é o aumento da pobreza e da taxa de desemprego. Actualmente, um palestiniano tem de trabalha 28 anos para juntar o mesmo que um israelita num ano.

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