I Encontro Mundial das Comunidades Portuguesas A Igreja Católica em Portugal está apostada em não deixar o país perder a “memória da emigração” que marcou toda a sua história. A ideia marcou o arranque do I Encontro Mundial das Comunidades Portuguesas, promovido no Porto pela Comissão Episcopal das Migrações e Turismo (CEMT) e a Obra Católica Portuguesa de Migrações (OCPM). “Essa vai continuar a ser uma marca do nosso país, até porque se assiste a alguma intensidade de fluxos de saída e assistimos ao nascimento de novas mobilidades”, explica à Agência ECCLESIA o Pe. Rui Pedro, director da OCPM. Os emigrantes foram apresentados como os “ausentes sempre presentes”, pelo que o presidente da CEMT exigiu do Governo o reforço da rede consular do nosso país. D. Januário Torgal Ferreira, diz que “os consulados são organismos essenciais para os cerca de cinco milhões de portugueses espalhados pelo mundo”. A primeira dama Maria José Rita, em representação do Presidente da República, abriu a iniciativa lembrando que a emigração exige a criação de um “olhar positivo” na consciência colectiva, esforço no qual a Igreja deve participar. A iniciativa reúne personalidades como o Cardeal Stephen Fumio Hamao (presidente do Conselho Pontifício para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes do Vaticano), o Cardeal-Patriarca D. José Policarpo, académicos, políticos, sindicalistas, conselheiros sociais e missionários. A OCPM apresentou esta iniciativa como uma forma de “identificar as mudanças psicosociais nas comunidades portuguesas”, “assumir a ‘memória sofrida’ da emigração”, “decidir novas formas de acompanhamento e inserção eclesial” e “responsabilizar e envolver as estruturas da Igreja em Portugal. Num momento de mudança política do País e das políticas migratórias, com a constituição do novo Parlamento e Governo, a Igreja pretende assim rasgar o silêncio nacional que rodeia ‘questões adiadas’, sobre a plena cidadania dos portugueses emigrados. O Pe. Rui Pedro lembra que esta iniciativa pretende ser “um fórum que os emigrantes, os missionários e os agentes missionários aguardam há muito tempo, para poderem dizer a uma só voz o que se passa hoje na emigração portuguesa”. Presença da Igreja Sob o tema “Migrações em Portugal: ousar a memória, fortalecer a cidadania”, a Igreja Católica espera que o Encontro Mundial das Comunidades Portuguesas de 2005 seja uma oportunidade para repensar a sua presença junto das mesmas, um pouco por todo o mundo. Para os cerca de 5 milhões de portugueses dispersos por 121 nações, a Igreja Católica mantém estruturas próprias para os “portugueses no mundo” há mais de 50 anos – 242 missionários trabalham junto das comunidades portuguesas. O Bispo do Porto, D. Armindo Lopes Coelho, confessa que a falta de apoio às comunidades portuguesas alarga-se também “à própria Igreja”, considerando haver falta de meios humanos. “As comunidades precisam de gente, de padres, de missionários, e nós não os temos”, lamentou. O Pe. Rui Pedro assegura, por outro lado, que “lá fora, as comunidades portuguesas são das mais activas e revitalizadoras do tecido cristão em muitas paroquias”. O I Encontro Mundial das Comunidades Portuguesas decorre de 29 a 31 de Março de 2005, na casa diocesana do Vilar, Porto. Participam 150 pessoas em representação de comunidades portuguesas estabelecidas em 17 países.
