O fazendeiro acusado de ser o mandante do assassínio da freira norte-americana Dorothy Stang entregou-se à Polícia Federal em Altamira, norte do Pará, divulgou ontem a imprensa brasileira. Vitalmiro Bastos de Moura, 34 anos, foi transferido domingo para Belém em avião da Força Aérea Brasileira e, num depoimento de mais de cinco horas à polícia, negou ter tido qualquer participação no crime e disse que irá provar sua inocência. Bida, como o fazendeiro é mais conhecido, chegou a elogiar o trabalho de Dorothy Stang, que trabalhava há mais de 30 anos na região da Amazónia na organização de trabalhadores rurais e na defesa no meio ambiente. A missionária foi morta a tiro no dia 12 de Fevereiro em Anapu, a 600 quilómetros de Belém. Segundo o delegado da Polícia Federal Uálame Machado, responsável pelo inquérito, Bida disse os nomes de fazendeiros da região interessados em assassinar a freira, mas as suas identidades foram mantidas em sigilo. O fazendeiro, que teve a prisão decretada pela justiça do Pará em 15 de Fevereiro, estava escondido num barracão na floresta no município de Altamira, perto de Anapu, onde ocorreu o crime. Bida vai responder na justiça por homicídio qualificado, acusado pelo Ministério Público do Pará de ser o mandante do assassínio de Dorothy Stang, 73 anos. Outros três acusados de envolvimento no assassínio da freira norte-americana continuam presos no Estado do Pará: Rayfran das Neves Sales, conhecido por Fogoió, que já confessou ser o autor dos disparos, Clodoaldo Carlos Batista, que o acompanhava, e Amair Feijoli da Cunha, o Tato, que teria contratado os pistoleiros a mando de Bida. A polícia investiga ainda a hipótese de o crime ter sido encomendado por um grupo de fazendeiros da região que pagariam 50 mil dólares (37,5 mil euros) aos pistoleiros contratados para matar a freira.
