Associações civis e religiosas que trabalham com imigrantes vão unir a sua voz numa reivindicação colectiva, exigindo um conjunto de medidas nas quais se integra um novo processo extraordinário de legalização de imigrantes, durante a próxima legislatura, e a revisão da Lei da Nacionalidade. A plataforma promove uma concentração, no Martim Moniz, em Lisboa, no próximo dia 20 de Março, com o objectivo chamar a atenção para a necessidade de regularização e integração dos imigrantes. Entre 2003 e 2004 inscreveram-se no Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) cerca de 84 mil estrangeiros que residiam ilegalmente em Portugal. Os dois processos de legalização, ainda a decorrer, apenas tiraram da ilegalidade 23%, pelo que faltam soluções para os outros 65 mil clandestinos. A preocupação pela verdadeira integração social e o abandono das actuais políticas, consideradas restritivas, são alguns dos recados que se farão ouvir no próximo Domingo. Entre os promotores da iniciativa estará o Centro Pe. Alves Correia (CEPAC), cujo director já explicou à Agência ECCLESIA o porquês da necessidade do compromisso de organismos católicos nesta área. “Esta é uma questão humanitária, de direitos, não é um problema partidário, e onde está o Homem está a Igreja”, alerta o Pe. Mário Faria. Este responsável sublinha que a integração passa por políticas sociais (acesso à educação, à saúde e à habitação, entre outros), lembrando que “as políticas migratórias dependem em primeira instância do Estado, até porque o número de pessoas que podem entrar para um país não é infinito”. O Pe. Mário vinca que não há, nesta iniciativa, nenhum desejo de intimidar o próximo Governo, mas de “sensibilizar e chamar a atenção para os direitos que os imigrantes têm”.
