«Falta vontade política» para combater a pobreza

Concluiu-se no Congresso da CAIS sobre «Economia para todos» “Há falta de vontade política” para eliminar a pobreza e a fome em Portugal – disse à Agência ECCLESIA João Fernandes, director executivo da OIKOS, à margem do IV congresso da Associação CAIS, realizado em Lisboa, dias 14 e 15 de Março. Esta falta de vontade estende-se a “todos os cidadãos”. O combate à pobreza “não pode ser apenas uma batalha de crescimento económico” – sublinhou. O director executivo da OIKOS defende uma “responsabilidade partilhada” nesta luta e “a criação de uma sociedade relacional”. A sociedade contemporânea tem “instrumentos técnicos – recursos financeiros e humanos – capazes de identificar soluções” mas tem faltado “mobilização social”. O relacionamento entre o Estado, sector privado e as organizações não governamentais poderá ter um efeito na “criação de riqueza” – disse João Fernandes. O combate à pobreza e à exclusão “terá que ser uma prioridade em Portugal” e neste combate é necessário “convocar todos os portugueses” – disse Henrique Pinto, director da Associação CAIS, que organizou um congresso subordinado ao tema “Economia para Todos – Que não nacionalize o sucesso e privatize o sofrimento”. Na abertura da iniciativa, o Presidente da República, Jorge Sampaio, disse mesmo “que nenhum português se deve sentir dispensado nesta tarefa”. Com a tomada de posse do novo governo, Henrique Pinto apela a “todos os ministros” que se preocupem com a pobreza porque esta “toca todas as dimensões da vida”. A solidariedade deve ser entendida com “um valor científico” e como tal deve-se estudar nas escolas e “educar para a solidariedade”. A competitividade e produtividade a que “somos obrigados desde a nascença” deve “ter em conta o valor da solidariedade”. Cada ser humano tem “direito à sua própria invenção” – sublinha Henrique Pinto. Quando se fala na Economia pela diferença “ninguém deve ser coagido à inclusão”. Um dos pontos sublinhados no congresso – menciona o director da CAIS – “as próprias organizações que nascem neste sistema económico que nos governa carecem ou contêm os mesmos vícios do sistema”. Apesar de ser o IV congresso, Henrique Pinto salienta que a adesão tem “sido boa” porém as “questões são sempre as mesmas”. O que significa que os resultados dos encontros “estão ainda muito no horizonte”. E lamenta: “fica-se muito pela teoria”. Actualmente, a CAIS – Circuito de Apoio e Integração aos Sem-Abrigo – trabalha em rede com outras organizações e a revista CAIS chega “praticamente a todos os locais”. Um trabalho com uma população “flutuante” porque os sem abrigo frequentam também outras organizações. Apesar de serem predominantemente portugueses, “já existem muitos imigrantes”. Um dos melhores vendedores da revista CAIS em Coimbra “é um italiano” – disse o director. Henrique Pinto não quantifica o número de Sem Abrigo em Portugal mas realça: “mesmo sendo um teríamos razões para nos sentir envergonhados” Notícias relacionadas •Agravamento da pobreza

Partilhar:
Scroll to Top