Há uma economia paralela de tráfico de seres humanos

Denuncia o director executivo da OIKOS O número de imigrantes em Portugal está a “aumentar constantemente” mas “não está a aumentar como seria desejável “ – mencionou à Agência ECCLESIA João Fernandes, director executivo da OIKOS. Um dos problemas que Portugal tem e terá “de forma mais acentuada nos próximos 20 anos é o envelhecimento da população”. Cada vez temos mais idosos e o consequente aumento de pessoas que auferem da Segurança Social. A única forma para ultrapassar esta questão “é conseguirmos abrir as portas aos emigrantes” mas para tal acontecer “é necessário coragem política” – defende João Fernandes. A forma encontrada para fechar as fronteiras à imigração “não resolve nenhum problema” e “leva a que se crie uma economia paralela de tráfico de seres humanos”. Na sociedade portuguesa existe um sector “que vive numa economia subterrânea” porque “temos cerca de 20 mil imigrantes ilegais e estão a trabalhar”. E acentua: “é mais fácil empregar um ilegal do que um legal”. Para alterar este panorama negro “é necessário explicar à população portuguesa” que é vital para a sociedade uma “maior abertura à imigração”. Os imigrantes poderão “trazer um enorme potencial para Portugal”. E exemplifica: “a Austrália e o Canadá há muito tempo que descobriram isso e têm óptimas políticas de multiculturalismo”. O combate à rede de tráfico de seres humanos – aponta o director executivo da OIKOS – “é uma prioridade fundamental”. A exploração existe neste fluxo migratório e “muitas mulheres acabam por cair na prostituição” – frisou. Não é possível combater este tráfico “sem uma rede social entre os países de origem e de destino”. A OIKOS está a tentar combater este fenómeno de duas formas: ao nível da cooperação para o desenvolvimento – “trabalhamos em países de origem de mão de obra imigrante” – e a nível europeu “estamos enquadrados numa rede de combate ao tráfico humanos”. Só é possível este combate “se amputarmos a cadeia económica que está por detrás” – finaliza João Fernandes.

Partilhar:
Scroll to Top