Santa Sé alerta para a situação no Darfur

A Santa Sé denunciou junto do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) a dramática situação de milhares de refugiados no no Darfur (região ocidental do Sudão). D. Fortunatus Nwachukwu, conselheiro da Santa Sé, disse em Genebra que a situação de crise humanitária é “crítica”. Mais de dois milhões de pessoas tiveram de abandonar as suas casas e, pelo menos, 100 mil morreram desde o início da crise no Darfur, em 2003 e provocou mais de 1,6 milhões de refugiados, de acordo com a ONU. O prelado denunciou que todos os dias “são perpetrados ataques brutais e violentos, juntamente com violações dos Direitos Humanos” e assegurou que o número de observadores da União Africana no terreno (apenas 1800 dos 3300 previstos) “é insuficiente”. “As autoridades sudanesas não parecem capazes ou em condições de defender os direitos do seu próprio povo”, apontou. A Santa Sé pediu ainda ao ACNUR que sejam tomadas “decisões rápidas” para proteger os refugiados de todo o mundo. “A situação precária e trágica dos milhões de pessoas afastadas à força das suas próprias aldeias e terras exige decisões concretas e solícitas, a fim de aliviar o seu sofrimento e desespero”, alertou o representante da Santa Sé na 32ª reunião do comité permanente do ACNUR, decorrido de 8 a 11 de Março em Genebra. D. Fortunatus Nwachukwu declarou que a comunidade internacional “não pode adiar para depois uma resposta que já deveria ter dado há muito tempo”. “Os atrasos implicariam a aceitação de um padrão duvidoso na solidariedade, à custa dos ‘sem voz’ e das populações mais marginalizadas”, acusou. O ACNUR actua junto de 17 milhões de refugiados, em 116 países e a Santa Sé espera que seja criado “um claro sistema de responsabilidade para com os refugiados, o que requer maiores recursos humanos e financeiros, mas sobretudo uma política que actue e intervenha para desarmar os agressores”. O representante da Santa Sé sublinhou também que é necessário um organismo que assuma as responsabilidades de coordenação para a ajuda aos deslocados internos e a protecção dos que permaneceram no país, mas se viram obrigados a fugir.

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