Os episcopados da UE querem reforçar papel da Igreja no processo de construção e consolidação da nova Europa. A posição foi assumida pela Comissão das Conferências Episcopais da UE (COMECE) diante do presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, durante a assembleia plenária do organismo, realizada em Bruxelas de 9 a 11 de Março. Os Bispos pediram a Durão Barroso “um compromisso activo com as Igrejas, numa parceira para a mudança, a fim de construir uma Europa baseada nos valores, em áreas como o emprego, a família e a investigação”. O presidente da Comissão Europeia assegurou que “a UE e a Igreja partilham valores muito semelhantes, sobretudo no que diz respeito ao seu compromisso de criar a unidade a partir da diversidade”. O comunicado final da reunião magna dos episcopados comunitários dá destaque ao primeiro encontro institucional com Durão Barroso, no qual foram discutidos temas como “a renovação da Estratégia de Lisboa, o processo de ratificação do Tratado Constitucional da UE e a responsabilidades dos seus Estados-membros para com os seus vizinhos”. A discussão sobre a Estratégia de Lisboa baseou-se na recente publicação da COMECE “Reforçar o modelo social europeu – Teses sobre a renovação da Estratégia de Lisboa”, com os Bispos a reforçarem a necessidade de um sucesso económico que sirva de base de apoio ao reforço do modelo social. Durão Barroso reconheceu o papel significativo da Igreja no processo de integração europeia e ambas as partes manifestaram o seu apoio à renovação da Estratégia de Lisboa, apontando as suas potencialidades “como caminho para reforçar a paz no Médio Oriente”. D. Teodoro Faria, Bispo do Funchal e representante da CEP neste encontro, referiu que o papel da Igreja neste processo ultrapassa o âmbito da espiritualidade. “Nós falamos também na questão dos pobres, como estar mais perto deles; na questão dos valores, como procurar influenciar as pessoas no campo dos valores, como o da bioética”, disse em declarações à RR. A COMECE saudou ainda o compromisso assumido pela UE a fim de que os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio sejam cumpridos, pedindo a Durão Barroso que seja capaz de conduzir a comunidade internacional neste sentido, “assegurando a solidariedade para com os países mais pobres, tanto na União como além das suas fronteiras, em particular nos países em vias de desenvolvimento”. Sobre as negociações para a adesão da Croácia à UE e ao processo de pacificação nos Balcãs, a COMECE sublinhou os desafios que se apresentam nos domínios da “reconciliação, governação e primado do Direito para o desenvolvimento de uma sociedade civil forte”. Os episcopados comunitários não esqueceram os recentes acontecimentos na Ucrânia, que classificaram como “históricos”, encorajando “as mudanças políticas e os movimentos que visam uma aproximação entre a União e a Ucrânia”. No próximo mês de Maio será publicada a reflexão teológica “O futuro da UE e a responsabilidade dos Católicos”, um documento maior sobre o processo de integração europeia. A COMECE considera que a publicação se reveste de grande importância num momento em que se discute a construção de uma nova UE e a aprovação do Tratado Constitucional. Para este último tema, os episcopados comunitários têm agora ao seu dispor o documento “O Tratado que estabelece uma Constituição para a Europa – elementos para uma avaliação”, destinado a encorajar um debate informado sobre esta matéria.
