Cenários mais optimistas em torno da saúde do Papa A intensa especulação que marcou as notícias sobre o estado de saúde do Papa, no passado sábado, foi atenuada pela simples vinda de João Paulo II à janela da Clínica Gemelli, contra o que fora anunciado e se previa, para surpresa de milhões de católicos em todo o mundo. Hoje, a janela de esperança que se abriu no Domingo, apesar da primeira ausência no Angelus em 26 anos de Pontificado, foi confirmada pelo Vaticano, ao anunciar que o Papa prossegue a bom ritmo a sua recuperação. Após a traqueotomia a que foi submetido na noite da passada quinta-feira, João Paulo II já iniciou o processo de reabilitação da respiração e da fala. “O Santo Padre alimenta-se regularmente, passa algumas horas no sofá e iniciou os exercícios de reabilitação de respiração e de fonação (fala)”, revela o texto divulgado pelo porta-voz do Vaticano, Joaquín Navarro-Valls. Relativamente ao período pós-operatório, Navarro-Valls afirmou que este “decorre sem complicações”. “As condições gerais e os parâmetros biológicos continuam bons”, acrescentou. O próximo boletim sobre a saúde do Papa será emitido na quinta-feira, 3 de Março, sinal de que nos próximos dias não se esperam grandes novidades. Apesar disso, os jornalistas mantêm-se nos seus postos, junto da Clínica Gemelli. A forma escolhida pelo Vaticano para comunicar o estado de saúde do Papa tem motivado críticas crescentes por parte da comunicação social, mas a verdade é que a realidade confirma a sua credibilidade, em contraponto com os cenários de catástrofe levantados, em geral, pelos Media. Sem voz, mas com a Igreja do seu lado Os problemas levantados pelo internamento do Papa têm sido minimizados pelo Vaticano, que procurar dar continuidade a uma série de actividades programadas, como relata a Rádio Vaticano. “Não obstante o internamento do Papa, nada muda no Vaticano”, refere a emissora pontifícia, que cita o Código de Direito Canónico para explicar a regra de ouro para o governo da Igreja em caso de impossibilidade de João Paulo II. O Código de Direito Canónico não prevê explicitamente situações de incapacidade prolongada, mas tem uma lei fundamental para a chamada “vagatura ou total impedimento da Sé romana” (cân. 335): “nada se inove no governo da Igreja Universal”. Em caso de “impedimento total”, é ao Cardeal Camerlengo –actualmente o espanhol D. Martinez Somalo – que compete a gestão dos assuntos correntes, mas nenhuma das decisões que competem ao Papa pode ser tomada. A Rádio Vaticano afasta cenários de renúncia, mas lembra que actualmente ela está prevista no Código de Direito Canónico (cân. 332, parágrafo 2), sob condições muito estritas: “se acontecer que o Romano Pontífice renuncie ao cargo, para a validade requer-se que a renúncia seja feita livremente, e devidamente manifestada, mas não que seja aceite por alguém”. Apesar das limitações do Papa, os processos seguem nos respectivos Dicastérios, dado que cada Congregação e Conselho Pontifício continua o seu trabalho até ao ponto em que as decisões são da competência exclusiva de João Paulo II. Os assuntos correntes na Santa Sé são geridos pelo Cardeal Angelo Sodano, Secretário de Estado do Vaticano, que visita com frequência a Clínica Gemelli. A incapacidade de falar, derivante da traqueotomia, não constitui um impedimento, como confirma o cardeal mexicano Javier Lozano Barragan, presidente do Conselho Pontifício para a Pastoral da Saúde em declarações publicadas no jornal “La Repubblica”. “Mesmo sem falar, o Papa guiará a Igreja – assegura – porque possui uma força incrível, uma vontade fora do comum e uma extraordinária lucidez”. “Isso não constitui um problema, mas agora não deverá sair do hospital cedo demais. Nesta fase de convalescença é necessário ser mais prudente e menos apressado. Espero que não se faça como da outra vez”, afirmou. O Cardeal Barragan salientou a “força fora do comum” de João Paulo II, frisando que “o Papa reage bem ao tratamento, e está a recuperar”. “As informações que nos chegam do hospital são optimistas”, garantiu, salvaguardando que caberá aos médicos decidir quando o Papa poderá ter alta. “A palavra demissão não faz parte do vocabulário do Papa. Ele continuará enquanto Deus o quiser, com a ajuda da Virgem Maria”, disse o Cardeal Barragán, resumindo o pensamento de João Paulo II a este respeito. O Cardeal Julián Herranz, presidente do Conselho Pontifício para os Textos Legislativos, defendeu que João Paulo II “está a dar uma lição estupenda ao mundo de amor pela cruz, assim como de serenidade e de alegria”. Notícias relacionadas • Angelus com o Papa
