Cáritas de Braga aposta na dinamização e formação de agentes sócio-caritativos

Criação de rede de estruturas sociais nas paróquias está em marcha A Cáritas vai dedicar-se à dinamização e formação dos agentes sócio-caritativos, depois da criação de uma rede de estruturas a nível das paróquias que dê «respostas imediatas» às situações sociais locais mais urgentes. Enquanto essa estrutura não está em funcionamento e as respostas sociais não surgem localmente, a instituição sente-se na obrigação de continuar a trabalhar para amenizar os problemas mais prementes. Este objectivo é apontado pelo presidente da Cáritas Arquidiocesana de Braga, que sublinha as diferenças que existem no território nacional. «A maneira como a Cáritas funciona é muito diferente de uma ponta a outra do país. A realidade do Norte — Porto, Viana e Braga – é muito peculiar porque quase todas as paróquias têm valências sociais, tais como Centro de Dia, Lar, Apoio Domiciliário ou Centro de Noite. Quando falamos do Centro e Sul, as coisas complicam-se, porque não há a estrutura eclesiástica e paroquial que existe no Norte», explica Pinto Dias. Para responder a estas diferentes realidades, no Centro e Sul aparecem as Cáritas paroquiais, que consistem em equipas que no terreno vão ajudando a minorar os problemas. Pinto Dias refere que estas estruturas não existem Norte, uma vez que as populações não sentem necessidade delas. «Quando começámos a pensar nas Cáritas paroquiais descobrimos que ia ser uma redundância, que ia haver mais do que já existe. Por isso, preferimos criar as delegações arciprestais destinadas a fazer um elo de ligação entre o que já existe no terreno e a própria Cáritas», recorda. Neste cenário, para a Cáritas ficará o papel de «dinamização, de formação, de apoio logístico e não propriamente de intervenção imediata». «Esperamos que no futuro a necessidade de respostas imediatas se atenue, com a passagem dessa tarefa para as paróquias. Aí será possível concretizar o que está pensado em termos Diocesano, que é deixar para a Cáritas o trabalho de dinamização e formação dos agentes sócio-caritativos», afirma. Dinamizar, estruturar e sensibilizar Com os olhos postos neste objectivo, a Cáritas de Braga coloca a dinamização, a estruturação e a sensibilização como as grandes apostas para este ano. No âmbito da dinamização da Arquidiocese, está em marcha a constituição de equipas arciprestais de acção social e caritativa, tendo já sido endereçados convites a alguns arciprestados, que estão a estudar a viabilidade desta ideia. Por outro lado, na sequência do que já foi feito em 2004, este ano vão prosseguir as acções de formação de agentes de intervenção social. Em relação ao objectivo da estruturação das respostas sociais, a prioridade vai para a consolidação dos serviços que começaram a funcionar depois da inauguração da sede na rua dos Falcões. Da mesma forma, há a vontade de estreitar laços com o trabalho social que está a ser feito nas paróquias e com outras instituições. O terceiro sector de actividade, centra-se na sensibilização da sociedade para os problemas sociais, através da repetição da operação “Dez milhões de estrelas”, da participação em exposições, mostras e outras iniciativas públicas, da dinamização da página oficial da Cáritas Portuguesa na Internet, onde as 20 Cáritas Diocesanas estão representadas, e da ligação às escolas. As necessidades das pessoas estão em primeiro lugar O dinheiro que se gasta é insignificante, quando comparado com a necessidade de proporcionar condições de vida digna às pessoas. Esta pode ser uma das traduções do espírito da Cáritas Arquidiocesana de Braga, que hoje vai estar nas igrejas e nas ruas a pedir às pessoas que partilhem algumas das suas posses com aqueles que nada têm. Quando questionado sobre as verbas que a Cáritas gasta, o presidente da estrutura bracarense, Pinto Dias, responde que «a despesa não importa». «A nossa filosofia é que primeiro estão as necessidades das pessoas. O que se gasta? Gasta-se muito. Os valores são altos, mas insignificantes. Temos que deixar de nos preocupar com quanto é que custa o apoio a uma pessoa. O mais importante é que essa pessoa possa viver com dignidade», afirma. Este responsável assegura que «as contas estão direitas» e que vão ser entregues ao Arcebispo. «Julgue-se a instituição pelo que faz e não pelos valores que estão envolvidos», afirma, sublinhando que estão a ser distribuídos para que as pessoas possam ficar a par do trabalho que está a ser feito e dar o seu donativo em consciência. O peditório deste ano está subordinado ao lema “Partilha o pão, constrói a justiça”, podendo a mensagem do Dia Cáritas ser lida na Igreja Viva. Pinto Dias salienta a importância das verbas recolhidas neste peditório para o funcionamento dos serviços de apoio social e para a manutenção da identidade da instituição. «O Governo tem programas específicos de apoios, mas, pelo menos nesta fase, não nos queremos envolver nesses projectos porque eles acabam por condicionar a nossa acção», argumenta. Este responsável explica que os programas têm «contrapartidas financeiras, mas também têm exigências que uma instituição com a natureza da Cáritas dificilmente pode cumprir». «Qualquer programa financiado pela Segurança Social exige um quadro de pessoal vasto. Os subsídios não chegam para pagar ao pessoal, por isso preferimos trabalhar com os nossos voluntários», declara. Pinto Dias frisa que os serviços só funcionam graças «aos corações muito generosos dos voluntários», que chegam a deixar a família à espera para poderem ajudar os mais carenciados. Em relação ao seu caso pessoal, Pinto Dias diz que a vontade de ajudar o próximo tem a ver com a sua história de vida. «Sou uma pessoa normal. Sempre achei que é possível fazer algo pelos outros, se calhar fruto da minha experiência pessoal. Sou filho de pais emigrantes e nos anos 60 e 70 vi as dificuldades que os portugueses passavam no estrangeiro. Numa cultura diferente, em que eram muitas vezes rejeitados, o que valia era a inter-ajuda», conta. Por outro lado, recorda a sua formação humanista, com a passagem pelo seminário. «Tudo aquilo que podermos fazer pelo outro, tem valor. O outro merece o nosso respeito porque não deixa de ser a imagem de Cristo», sublinha.

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