“A desertificação ameaça cerca de 35% dos solos do país” – refere a carta de susceptibilidade à desertificação do território nacional, divulgada dia 17 de Junho, Dia Mundial da Desertificação. Uma desertificação que atinge sobretudo o Interior e o Sul e que nas palavras de D. Manuel Madureira Dias, Bispo do Algarve, abrange “os solos e as pessoas”. O Nordeste algarvio é a “zona mais atingida” derivado às “políticas erradas promovidas desde o tempo de Salazar. Quiseram tirar trigo onde havia rochas e deu-se cabo de todo o arvoredo existente” – lamenta o prelado algarvio. Com um terreno depauperado e a mono indústria do Turismo “acabou-se a produção dos frutos secos, grande fonte de rendimento deste povo” – sublinha D. Manuel Madureira Dias à Agência ECCLESIA. Uma situação desesperante, especialmente “na zona de Alcoutim, onde a desertificação humana, segundo o último censo, se situa nos 17% em relação ao anterior”. A Igreja verifica estes dados mas “só pode pregar aos que estão lá” – afirma o bispo do Algarve, que adianta: “apelamos aos que estão lá para não deixaram as suas terras e tentamos valorizar aquele modo de vida”. Apesar de reconhecer que muitas autarquias estão a fazer “esforços notáveis para resolver estes problemas”, o bispo do Algarve também sabe que “o Litoral é um atractivo”. Uma consequência do “urbanismo em geral” e salienta que num “futuro muito próximo estamos sujeitos a que a grande maioria da população habite na faixa litoral”. E concluiu: “temos uma desertificação humana e dos terrenos”.
