No seu último livro “Memória e Identidade”, João Paulo II mostra-se como um “europeu excepcional na hora de fazer reflexão e memória”, afirmou nesta terça-feira na Espanha o Arcebispo de Madrid, Cardeal Antonio María Rouco Varela, durante a apresentação à imprensa da mais recente obra pessoal do Pontífice. João Paulo II “é um europeu de primeira categoria”, com uma experiência muito rica que muito poucos políticos e altos representantes da vida pública “podem igualar”, disse o presidente da Conferência Episcopal Espanhola (CEE) no acto realizado na Associação da Imprensa de Madrid. O livro, apresentado simultaneamente também na Itália, Alemanha e Brasil, fecha –segundo o Cardeal– uma trilogia iniciada com “Dom e mistério”, onde o Papa narrou as suas experiências de 50 anos de sacerdócio, e ao que seguiu, no ano passado, “Levantai-vos, vamos!”, memória do 25° aniversário de sua consagração episcopal. O presidente da CEE declarou que no livro, fruto de conversas “de grande nível intelectual” sustentadas em 1993 com dois amigos filósofos poloneses, os professores Józef Tischner e Krzysztof Michalski a respeito das ditaduras que marcaram o século XX, João Paulo II aborda de forma directa e imediata uma série de questões muito variadas, da mesma maneira como “ele se relacionou com o mundo exterior”. O Cardeal Rouco Varela assinalou que em “Memória e Identidade”, quem reflecte “é o Papa”, mas também “um polaco”, “um europeu de primeira categoria”, difícil de igualar por outros “homens da cultura ou da política” e, principalmente “um cidadão do mundo”. “Num cruzamento constante de planos”, o Pontífice intercala a história da Europa e a da Igreja com o passar do século passado, através do “fio da antropologia teológica, tal como a expõe o Vaticano II”, que não se limita ao “panorama antropológico” indicado pelo teólogo Karl Rahner, mas sim a um “panorama antropológico à luz de Cristo”, acrescentou.
