Cáritas de Braga projecta equipas de rua

Observatório Social e bolsa de equipamento médico são prioridades A Cáritas Arquidiocesana de Braga sonha com a criação de equipas de rua que possam ir a casa das pessoas que vivem em solidão e que, noutra vertente, verifiquem as situações de carência que são relatadas à instituição. Este projecto é revelado pelo presidente da estrutura bracarense, que aponta a criação de uma bolsa de material médico-hospitalar e do Observatório Social como as realizações que vão ser levadas a cabo mais rapidamente. José Carlos Pinto Dias refere que a ideia destas equipas de rua, que está em fase de estudo, ainda não tem data marcada para avançar, mas mais cedo ou mais tarde poderá tornar-se uma realidade. «Tudo a seu tempo», poderia muito bem ser o lema da direcção, que procura dar passos com bases sólidas. «Temos noção de que esta instituição cresceu de uma forma muito rápida. A procura da Cáritas cresceu ao ritmo do aumento da pobreza», declara. Este responsável justifica o projecto referindo que «há pessoas muito sós, que gostavam que alguém as fosse visitar e que estivesse uma hora a conversar com elas», pelo que a missão destes grupos seria «levar uma palavra amiga» àqueles que vivem em solidão. Por outro lado, salienta que a instituição gostaria de ter equipas «que pudessem ir a casa das pessoas verificar aquilo que contam». «Muitas vezes, há pessoas que vêm contar histórias e depois, quando vamos a verificar, elas não são bem assim», argumenta. Mais rapidamente, ainda no decurso deste ano, deverá ser criada uma bolsa com equipamentos médico-hospitalares, na sequência do que foi prometido na campanha “Dez milhões de estrelas”. As camas articuladas, os carrinhos de rodas, as muletas e outros instrumentos poderão ser usados pelas famílias que não têm capacidade de os adquirir. Os resultados da campanha ainda não foram anunciados porque está em curso a recolha das velas que sobraram e a contabilização das vendas. Observatório Social é «imprescindível» A Cáritas considera «imprescindível» a criação do Observatório Social para a estruturação da acção sócio-caritativa da Arquidiocese. «Não basta termos um diagnóstico social. É preciso actualizar anualmente os dados para que os planos anuais tenham em conta os inputs da comunidade», diz Pinto Dias. O presidente sublinha a importância da existência de uma «análise sociológica o mais neutra e científica possível», que «dê as informações necessárias para traçar os planos da Diocese, quer seja a nível caritativo ou da catequese». Este responsável revela que a instituição que dirige «não imagina o Observatório Social como uma estrutura da Cáritas, mas como uma estrutura da própria Arquidiocese, na qual a Cáritas é um parceiro entre muitos outros». «Não nos importarmos de ser o principal parceiro, mas este tem de ser um trabalho conjunto», afirma, lembrando o esforço de sensibilização e de formação que já foi feito na Arquidiocese. A Cáritas candidatou-se a um programa comunitário que poderá dar uma ajuda financeira ao arranque deste projecto. A candidatura já foi apresentada ao Equal via Cáritas Portuguesa, havendo um período de aproximadamente seis meses para a entrega do projecto final, findo o qual deverá haver uma decisão. «O financiamento seria uma boa ajuda para arrancar com o projecto porque poderíamos afectar um técnico pago por fundos comunitários a este trabalho. Caso não seja possível, teremos de inventar uma forma de financiamento e de torná-lo operacional», refere. Em relação ao trabalho global da instituição, Pinto Dias diz que a «Cáritas passou por uma fase de reestruturação, que incluiu a construção da sede e a análise do diagnóstico social da Arquidiocese». «Vamos passar para uma fase diferente, que consiste em consolidar práticas. Em 2005, a grande aposta passa pela dinamização, estruturação e sensibilização da população», frisa. Peditório decorre entre hoje e Domingo A Cáritas Arquidiocesana de Braga promove, entre hoje e Domingo, o seu peditório anual, inserido na Semana Nacional, este ano subordinada ao lema “Partilha o pão, constrói a justiça”. Quem preferir pode depositar o seu donativo, pode fazê-lo na conta do BPI número 3-0277977000002, com o NIB 001000000277977000296, tendo a possibilidade de posteriormente obter um recibo dedutível no IRS. Esta é a única forma de financiamento da Cáritas Arquidiocesana que, com os fundos recolhidos no peditório, pretende consolidar as diversas estruturas de apoio social que já tem implementadas. Refeitório social, balneário, roupeiros, atendimento social, apoio psico-social, coordenação de voluntariado, formação de agentes sócio-caritativos e grupos desfavorecidos são algumas das áreas de actuação. O ofertório das missas de domingo reverte para a Cáritas. O presidente da instituição bracarense refere que o êxito deste peditório depende «da sensibilização dos párocos». Já a recolha de dinheiro na rua se tem complicado de ano para ano, uma vez que, «para além de existirem poucos recursos monetários, os voluntários começam a ter vergonha de ir pedir para a rua». Esta realidade que se passa em Braga é extensível a todo o país. O presidente da Cáritas Portuguesa diz que os donativos para peditórios nacionais diminuíram nos últimos anos devido à dificuldade em conseguir voluntários e não à falta de generosidade dos portugueses.

Partilhar:
Scroll to Top