O líder do grupo fundamentalista ugandês “Exército de Resistência do Senhor”, Joseph Kony, declarou guerra às missões católicas, aos missionários e missionárias. As suas ordens são peremptórias: “as missões católicas devem ser destruídas, os padres e os missionários, mortos a sangue frio, e as irmãs, açoitadas até sair sangue.” Joseph Kony lançou esse grito de guerra a todos os seus homens deslocados no norte de Uganda. A ordem foi dada pela rádio, na quinta-feira passada, nas frequências utilizadas pelas missões católicas. Muitos religiosos expressaram forte preocupação pelos riscos que poderão correr as estruturas da Igreja Católica no país. A violência contra os civis, perpetradas diariamente pelos rebeldes, nos distritos “acholi” de Gulu, Kitgum e Pader, fazem temer que tudo seja possível. Nos últimos dias, aumentou para mais de 700 o número de crianças que, por temor de serem sequestradas pela guerrilha, se refugiaram nos edifícios paroquiais. Nos últimos 20 anos, 11 combonianos e uma comboniana foram mortos em circunstâncias diversas, em Uganda. A guerra civil que ensanguenta o norte de Uganda, está a transformar-se num lento genocídio das populações da área. De um total de 1,4 milhões de habitantes de etnias “acholi” e “lango”, cerca de 850 mil vivem sem abrigo e em condições humanitárias desesperadas, por falta de alimento e medicamentos.
