O arcebispo português Manuel Monteiro de Castro, núncio apostólico em Madrid, continua a acreditar na inclusão de uma referência ao cristianismo no texto final do Tratado Constitucional da União Europeia. “A Santa Sé e muitas pessoas, como eu, acreditam que seria necessária uma referência aos valores do cristianismo na formação da Europa no preâmbulo desta Constituição. Bastaria uma referência simples, como por exemplo ‘heranças culturais, religiosas, particularmente do cristianismo, e humanistas da Europa’ para dar um fazer jus à herança cristã que está presente desde as Catedrais à pintura, da literatura à universidade, dos países nórdicos à península ibérica”, declarou à Agência ECCLESIA. Aos que entendem que tal referência seria discriminatória, D. Monteiro de Castro responde que “isto não seria fazer nada de ofensivo, porque é um facto, que ajudaria a interpretar o texto no seu conjunto. No actual texto, por exemplo, a Igreja Católica é tratada da mesma maneira que qualquer outra confissão religiosa, o que é bastante injusto”. Em relação ao corpo do texto, a avaliação do núncio apostólico em Madrid é bastante positiva. “O artigo 51 deste projecto contém tudo o que é importante para a Igreja Católica e as várias confissões religiosas. O projecto de Constituição Europeia tem, no seu conjunto, os valores cristãos: solidariedade, subsidiariedade, dignidade da pessoa humana; as relações entre as denominações religiosas e os Estados também foram salvaguardadas, bem como o respeito pelo estatuto das religiões nos diversos países. Basta que não toquem no texto que já foi elaborado”, concluiu.
