ONU proclamou Ano Internacional dos Voluntários para o Desenvolvimento Sustentável
Lisboa, 05 dez 2026 (Ecclesia) – Catarina António, da Fundação Fé e Cooperação (FEC), afirma que o “voluntariado é o melhor veículo para a solidez social”, no âmbito do Ano Internacional dos Voluntários para o Desenvolvimento Sustentável, da Organização das Nações Unidas para 2026.
“O voluntariado é mesmo o melhor veículo para a solidez social. Nós vivemos tempos estranhos, seria a expressão que usaria, tempos desafiantes. Em Portugal, temos cada vez mais voluntários, isso não passa nas televisões, mais facilmente passa um discurso xenófobo, ou algum discurso menos bom para a nossa sociedade”, disse a gestora de projetos da FEC, fundação da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), esta segunda-feira, 5 de janeiro, em entrevista à Agência ECCLESIA.
Catarina António acrescenta que estes voluntários estão também “a desconstruir isso”, e estão a mostrar que é preciso encontrar-se “com o outro, conhecer a realidade do outro”, e, no caso de Portugal, quando se fala muito da imigração questiona “o valor inestimável que os imigrantes estão a trazer ao país e à cultura”, ou quantos voluntários estão a trabalhar com comunidades recém-chegadas.
“E essas mesmas pessoas, depois integradas, vão também eles ser voluntários, e ouvir o outro e estar com o outro. Estes tempos são muito desafiantes, e quando pensamos, olhando para a nossa realidade local, não é preciso olhar para a África ou para outros continentes para onde os nossos voluntários também partem, o voluntário é o sinal da paixão”, desenvolveu.
“Amanhã vivemos o Dia de Reis, estes voluntários são os Reis Magos que vão chegando, que vão estando e que vão mostrando que o mundo é melhor se trabalharmos juntos e se estivermos juntos.”
André Patrício Peixoto, dos Leigos para o Desenvolvimento (LD), destaca que o voluntariado tem um “papel muito importante” numa sociedade que se tem sentido “cada vez mais focada na economia, no que se gera, no que não se gera”, e promover o voluntariado é também uma forma de “convidar as pessoas a abrandar e a desligar do ritmo de vida” que muitas vezes se vive nos países europeus ou no hemisfério norte, e contribuir para uma sociedade mais justa e melhor, “sem o peso que tem o dinheiro no meio destas coisas”.
“Nos últimos anos, sobretudo no pós-Covid, temos vindo a assistir um aumento gradual do número de voluntários que vamos dispondo, normalmente enviamos 10, 12, 14 voluntários por ano para Angola, São Tomé, Moçambique, neste caso, já tivemos missão em Timor, cá em Portugal também. É uma proposta exigente, para nós alicerçada naquilo que cremos ser a vontade de Deus para cada um”, acrescentou o gestor de projetos para Moçambique dos LD, associação ligada à Companhia de Jesus (Jesuítas) em Portugal.
2026, foi declarado o Ano Internacional dos Voluntários para o Desenvolvimento Sustentável (IVY 2026, sigla em inglês), pela Organização das Nações Unidas, com o tema ‘Toda a Contribuição Importa’; a ONU convida a recordar e implementar projetos que concretizem os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) indicados para contribuir para um mundo mais sustentável e justo.
Catarina António, da Fundação Fé e Cooperação, explica que os ODS estão presentes “em todo o trabalho dos voluntários que são desenvolvidos todos os dias, em todas as partes do mundo”, e considera que este IVY 2026 é uma oportunidade para trazer este tema para a agenda pública também, “para dar a conhecer o trabalho feito pelos voluntários”, e como é que cada voluntário e cada organização concretiza os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável no seu trabalho.
“Estamos muito aquém das metas, estima-se que estamos a 35%, não querendo errar, de atingir as metas propostas na Agenda 2030, e os voluntários dão um contributo inestimável para esta concretização”, acrescenta a gestora de projetos da FEC, no Programa ECCLESIA, transmitido hoje na RTP2, no contexto do Ano Internacional dos Voluntários para o Desenvolvimento Sustentável 2026.
A Fundação Fé e Cooperação, que nasceu há 35 anos também “para dar resposta a esta questão do voluntariado missionário, e da formação aos voluntários e de criar pontes”, coordena a Plataforma de Voluntariado Missionário de Portugal, e Catarina António salienta que os voluntários missionários “levam a fé”, que é “uma responsabilidade acrescida”.
André Patrício Peixoto salienta que “é sempre importante celebrar” o papel do voluntário, “nunca é de mais valorizar este papel”, que muitas vezes é desvalorizado, mas, nos Leigos para o Desenvolvimento, que celebram 40 anos, acreditam que “o trabalho que é feito é muito profissional”, independentemente da duração, e da idade, porque “o voluntariado não tem uma idade própria para ser feito”.
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