Normas foram lançadas pela Cáritas Internacional em 2015 e estão a ser implementadas nos países lusófonos por um projeto «em rede»
Lisboa, 13 dez 2018 (Ecclesia) – A Cáritas Portuguesa está a promover nos países lusófonos o projeto de implementação dos padrões de gestão propostos pela Cáritas Internacional para toda a rede, tendo por objetivo “capacitar”, “organizar” e “otimizar” o serviço da caridade.
Para o presidente da Cáritas de Angola, D. Estanislau Chindecasse, “ninguém hoje trabalho isolado”, mas em rede, e é necessário cuidar a “preparação” e a “capacitação” dos técnicos e colaboradores dos diferentes serviços.
“Há as emergências, mas podemos organizar e otimizar a maneira de fazer as coisas. Assim, seremos mais efetivos no trabalho que prestamos aos irmãos necessitados”, afirmou D. Estanislau Chindecasse, também bispo da Diocese do Dundo, em declarações à Agência ECCLESIA.
Para o presidente da Cáritas Portuguesa, a parceria com a Cáritas de Angola tem por objetivo cuidar a “capacitação” recíproca dos vários intervenientes na concretização dos projetos de solidariedade.
“Estamos a tentar em conjunto capacitarmo-nos. Não viemos aqui os capacitadores para uma Cáritas que está descapacitada. Nós também nos estamos a capacitar, a seguir os passos que a Cáritas Internacional nos manda dar, para podermos ser fieis à identidade e missão da Cáritas, e nós resolvemos fazê-lo em conjunto”
A implementação dos padrões de gestão propostos pela Cáritas Internacional está a ser concretizada através do projeto “Cáritas Lusófonas em Rede – Inovar par ao Impacto”, promovido pela Cáritas Portuguesa, em parceria com a Fundação Fé e Cooperação, e cofinanciado pelo Instituto Camões – Instituto da Língua e Cooperação.
Após o início do projeto, em março de 2018, uma delegação da Cáritas Portuguesa e da Cáritas de Angola acompanharam a sua implementação e promoveram sessões de formação na direção geral da Cáritas de Angola, na arquidiocese de Luanda e na de Saurimo e na Diocese do Dundo.
As normas de gestão propostas pela Cáritas Internacional decorrem do documento publicado pelo Papa Bento XVI no dia 11 de novembro de 2012 “Intima Ecclesia Natura”, sobre o serviço da caridade.
É um projeto que se baseia nos standards de gestão da Cáritas Internacional que foram lançados em 2015 para todas as organizações Cáritas e estão ainda como um desafio lançado, sabendo que em 2019 serão uma obrigatoriedade. Neste contexto e em conciliação do Fórum das Cáritas Lusófonas, surgiu a ideia deste projeto, que concilia a aproximação da Cáritas Portuguesa à Cáritas Lusófonas e é uma ajuda em capacitação, uma vez que a Cáritas Portuguesa está neste processo dos standards de gestão.
Este é um instrumento obrigatório no nosso tempo. Não só porque a Cáritas Internacional acha que vai revolucionar o trabalho, a qualidade da prestação dos serviços a quem precisa, mas também porque nós, as organizações, precisamos de nos revolucionarmos para nos dedicarmos mais, com qualidade que os standards exigem, mas também com mais amor, que nos standards a Igreja obriga à presença do Evangelho.
São o ferramentas muito importantes e seria bom que todas as organizações que tem por ponto focal as populações mais desfavorecidas procurassem melhorar a qualidade dos serviços que vem prestando, no sentido de procurar envolve-los, ouvir os beneficiários, o que eles necessitam realmente, para impedir que projetos que venham a ser implementados numa determinada comunidade não sejam apenas segundo os interesses das organizações, mas de todas as partes envolvidas.
Temos de nos enquadrar e nos adaptar à nova realidade, que a Caritas internacional quer de nós para assim conseguirmos responder às respostas que achamos importantes. Eis a razão de apostarmos mais na formação dos membros da Cáritas para conseguirmos levar avante aquilo que é necessário.
Os membros da Cáritas têm de ser pessoas sugestivas, dinâmicas, capazes de criar e de fazer. Por exemplo, se eu não sei fazer um projeto, preciso de competências, preciso de formação.
Antes, trabalhávamos separadamente. Mas a união faz a força! Ao trabalhar em rede, descobrimos as qualidades, apoiamo-nos aos outros vamos em frente e servimos melhor a nossa população.
É importante. É muito importante e ajuda-nos a nos organizarmos melhor e poder comprovar o trabalho que estamos a fazer. Na atualidade, em que se fala de transparência e corresponsabilidade, ajuda-nos a todos. Ajuda-nos a organizarmo-nos melhor como pessoas dentro da mesma sociedade.
As pessoas estão motivadas porque querem esta mudança nesta organização. Angola vive muitos problemas e a Cáritas de Angola tem feito um trabalho fantástico com as pessoas, já durante a guerra civil e no período da paz continua a ter ainda mais desafios, porque há menos organizações e financiamento, existe a crise financeira em Angola… Com esses desafios, vivem a oportunidade de mudar.