{"id":9981,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/meninos-de-rua-e-meninos-na-rua\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"meninos-de-rua-e-meninos-na-rua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/meninos-de-rua-e-meninos-na-rua\/","title":{"rendered":"Meninos de rua e Meninos na rua"},"content":{"rendered":"<p>Bispo do Funchal escreve sobre um dos desafios mais inquietantes do nosso s\u00e9culo <!--more--> Na diocese do Funchal houve a preocupa\u00e7\u00e3o de atender \u00e0s crian\u00e7as abandonadas ou em perigo, principalmente as do sexo feminino. S\u00f3 mais tarde, e com grande esfor\u00e7o, se conseguiu atenuar o vazio para o sexo masculino, interven\u00e7\u00f5es onde n\u00e3o faltaram dedica\u00e7\u00e3o e sacrif\u00edcio, mas onde surgiram problemas e contradi\u00e7\u00f5es como em todas as obras humanas. Nestas institui\u00e7\u00f5es as crian\u00e7as s\u00e3o amadas, respeitadas e preparadas para a vida em sociedade.    1. O Pontif\u00edcio Conselho da Pastoral para os Migrantes e Itinerantes realizou em Roma, no passado m\u00eas de Outubro, o I Encontro Internacional para a pastoral dos meninos de rua.  O documento final foi enviado a todos os bispos. O Santo Padre pediu que o encontro \u00abcontribu\u00edsse para formular propostas concretas de eficazes interven\u00e7\u00f5es de acolhimento e assist\u00eancia \u00e0 juventude em risco, para os sem casa e sem fam\u00edlia&#8230;\u00bb  Os meninos de rua constituem um dos desafios mais inquietantes do nosso s\u00e9culo, tanto para a Igreja como para a sociedade civil e pol\u00edtica. A Amnistia Internacional estima em 100 milh\u00f5es o n\u00famero destes meninos e meninas de rua, e a Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho, em 150 milh\u00f5es. Apesar de serem n\u00fameros inquietantes, o fen\u00f3meno continua a crescer em todos os continentes.  Da parte civil a atitude prevalente \u00e9 a do alarme social, \u00e9 uma amea\u00e7a \u00e0 ordem p\u00fablica, falta uma disposi\u00e7\u00e3o eficaz para ajudar a resolver ou atenuar a situa\u00e7\u00e3o. O sentido humanit\u00e1rio, solid\u00e1rio e at\u00e9 crist\u00e3o n\u00e3o \u00e9 o que mais predomina.  Estes meninos fazem da rua a sua habita\u00e7\u00e3o, t\u00eam experi\u00eancias traumatizantes na fam\u00edlia, foram expulsos ou fugiram de casa, outros s\u00e3o induzidos por adultos ou cl\u00e3s de m\u00e1 vida a permanecer na rua, para prostitu\u00edrem-se, mendigar, distribuir drogas.   Apesar da casa de fam\u00edlia passam a vida na rua 2 &#8211; Diferentes destes meninos s\u00e3o os que possuindo casa e fam\u00edlia transcorrem grande parte do seu tempo na estrada, sem frequentarem a escola nem terem forma\u00e7\u00e3o para o futuro, com companhias pouco recomend\u00e1veis. O seu n\u00famero \u00e9 muito preocupante mesmo nos pa\u00edses desenvolvidos. \u00c9 o caso dos nossos meninos das \u00abcaixinhas\u00bb, v\u00edtimas de condi\u00e7\u00f5es de pobreza e, tamb\u00e9m da desagrega\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias, tens\u00f5es entre os pais, comportamentos agressivos e, por vezes, at\u00e9 imorais na pr\u00f3pria casa.  Os poderes p\u00fablicos est\u00e3o alarmados, e reconhecem que sem a interven\u00e7\u00e3o do social privado e voluntariado n\u00e3o conseguem recuperar estes meninos de rua e na estrada. Da parte da Igreja tem havido um esfor\u00e7o imenso para a preven\u00e7\u00e3o e recupera\u00e7\u00e3o destas crian\u00e7as, mas temos de confessar que \u00e9 um terreno que obriga a grandes energias e contradi\u00e7\u00f5es. As cartas an\u00f3nimas enviadas \u00e0 tutela e aos jornais respiram \u00f3dio e vingan\u00e7as pessoais, raramente procuram contribuir para a mudan\u00e7a de situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis. Al\u00e9m disso torna-se ingrato estar sujeito a frequentes inspec\u00e7\u00f5es e vistorias, sem que os respons\u00e1veis sejam chamados a emitir a sua opini\u00e3o e corrigir informa\u00e7\u00f5es mal\u00e9volas e defender-se de ataques e insinua\u00e7\u00f5es.   Evangeliza\u00e7\u00e3o e psico-pedagogia 3 \u2013 Os compromissos com os meninos de rua e na rua n\u00e3o s\u00e3o tarefa f\u00e1cil e, \u00e0s vezes, parece frustrante, pode-se at\u00e9 ceder \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o de baixar os bra\u00e7os. A recupera\u00e7\u00e3o em tenra idade \u00e9, geralmente, poss\u00edvel, na adolesc\u00eancia torna-se mais dif\u00edcil.  Para as institui\u00e7\u00f5es eclesiais que se dedicam \u00e0s crian\u00e7as, a evangeliza\u00e7\u00e3o, que tende a recuperar e valorizar a dimens\u00e3o religiosa, \u00e9 acompanhada das interven\u00e7\u00f5es s\u00f3cio-assistenciais e psico-pedag\u00f3gicas. N\u00e3o h\u00e1 contraposi\u00e7\u00e3o entre as duas atitudes. O encontro com Cristo ressuscitado ajuda a curar as feridas e traumas dos cora\u00e7\u00f5es feridos, mesmo na inf\u00e2ncia. Cristo mostrou sempre uma predilec\u00e7\u00e3o pelos mais pequenos, atitude que contrasta com a do seu tempo, quando a crian\u00e7a era respeitada n\u00e3o em si mesma mas em raz\u00e3o do que seria na idade adulta.  Na diocese do Funchal houve a preocupa\u00e7\u00e3o de atender \u00e0s crian\u00e7as abandonadas ou em perigo, principalmente as do sexo feminino. S\u00f3 mais tarde, e com grande esfor\u00e7o, se conseguiu atenuar o vazio para o sexo masculino, interven\u00e7\u00f5es onde n\u00e3o faltaram dedica\u00e7\u00e3o e sacrif\u00edcio, mas onde surgiram problemas e contradi\u00e7\u00f5es como em todas as obras humanas. Nestas institui\u00e7\u00f5es as crian\u00e7as s\u00e3o amadas, respeitadas e preparadas para a vida em sociedade.  N\u00e3o se duvida que a fam\u00edlia natural \u00e9 o melhor espa\u00e7o educativo, quando ela \u00e9 capaz de cumprir a sua miss\u00e3o de pais e educadores. A adop\u00e7\u00e3o \u00e9 uma alternativa j\u00e1 facilitada pela nova legisla\u00e7\u00e3o. Mas para al\u00e9m de v\u00e1rias medidas poss\u00edveis, haver\u00e1 sempre um n\u00famero de crian\u00e7as que ficar\u00e3o exclu\u00eddas, principalmente as deficientes que, mesmo com fam\u00edlia, os pais n\u00e3o as querem em casa e, por vezes, nem as visitam nas institui\u00e7\u00f5es. Bom seria que estas casas nunca fossem necess\u00e1rias, o problema \u00e9 que elas n\u00e3o podem responder aos v\u00e1rios pedidos que lhe s\u00e3o feitos.  Desta forma os problemas das crian\u00e7as pobres e desamparadas continuam a exigir institui\u00e7\u00f5es apropriadas, com pessoas que saibam am\u00e1-las, compreend\u00ea-las, sofrer e sorrir com elas. Estas institui\u00e7\u00f5es est\u00e3o sujeitas a legisla\u00e7\u00e3o que vem de cima para baixo, ditadas por pessoas com graus acad\u00e9micos mas que n\u00e3o d\u00e3o a vida por esta causa. A aut\u00eantica educa\u00e7\u00e3o \u00e9 feita por pessoas que t\u00eam um cora\u00e7\u00e3o grande e aberto a todas as car\u00eancias e problemas humanos dos mais desprotegidos e abandonados, com eles convivem dia e noite, na sa\u00fade e na doen\u00e7a, nos bons e maus momentos.   Nuvens obscurecem dedica\u00e7\u00f5es comprovadas  4. Nos \u00faltimos tempos t\u00eam aparecido nuvens a obscurecer o bom nome de pessoas, cuja dedica\u00e7\u00e3o e entrega total a esta causa n\u00e3o se pode duvidar, com a pretens\u00e3o de descobrir verdadeiras ou falsas agress\u00f5es e castigos aos residentes nestas institui\u00e7\u00f5es. Seguem-se depois inqu\u00e9ritos, visitas de inspectores, peritos t\u00e9cnicos, devassa de privacidade da casa, causando press\u00f5es degradantes, levando \u00e0 perda de tempo e instabilidade psicol\u00f3gica, pondo em causa a generosidade, o carinho, a experi\u00eancia e at\u00e9 compet\u00eancia de pessoas e institui\u00e7\u00f5es que merecem todo o nosso respeito. Um dos casos mais propagados nos \u00faltimos tempos foram as Casas do Padre Am\u00e9rico no continente.  Os inqu\u00e9ritos e vistorias podem ser frutuosos se n\u00e3o forem dominados pela obsess\u00e3o t\u00e9cnica, arrog\u00e2ncia, afastamento e at\u00e9 desprezo das pessoas que regem as institui\u00e7\u00f5es, feitos por diplomados, por vezes, alheios \u00e0 vida concreta e real do dia a dia dos residentes.  Embora as teorias e conhecimentos te\u00f3ricos sejam v\u00e1lidos, eles n\u00e3o chegam para aquecer os cora\u00e7\u00f5es, serenar situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis e abrir caminhos para tantos problemas que surgem cada dia na forma\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o dos que n\u00e3o tiveram a felicidade de nascer e crescer numa fam\u00edlia digna deste nome. Certamente que podem surgir defeitos e problemas nas institui\u00e7\u00f5es que exigem interven\u00e7\u00f5es dos que as tutelam. Mas tratando-se de pessoas e casas que d\u00e3o a vida por esta causa, faz parte do verdadeiro humanismo n\u00e3o esquecer as situa\u00e7\u00f5es pen\u00edveis e dif\u00edceis daqueles e daquelas que acompanham e se imolam pelos que se sentem \u00f3rf\u00e3os e encontraram um ambiente familiar nas institui\u00e7\u00f5es e no cora\u00e7\u00e3o dos que se entregam sem olhar ao rel\u00f3gio nem ao tempo por uma causa t\u00e3o nobre.  \u00abBem-aventurados os misericordiosos, diz Jesus, porque encontrar\u00e3o miseric\u00f3rdia\u00bb, se n\u00e3o for c\u00e1 em baixo, seguramente ser\u00e1 naquele Reino onde se entra somente com o \u00abdiploma\u00bb do amor de Deus e do pr\u00f3ximo.   Funchal, 6 de Fevereiro de 2005  \u2020 Teodoro de Faria, Bispo do Funchal<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bispo do Funchal escreve sobre um dos desafios mais inquietantes do nosso s\u00e9culo<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[105,154,186,193,206,344,329],"class_list":["post-9981","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-amnistia-internacional","tag-crianca","tag-diocese-do-funchal","tag-educacao","tag-familia","tag-padre-americo","tag-voluntariado"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9981","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9981"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9981\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9981"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9981"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9981"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}