{"id":99717,"date":"2018-03-19T10:57:16","date_gmt":"2018-03-19T10:57:16","guid":{"rendered":"http:\/\/www.agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=99717"},"modified":"2018-03-19T10:58:12","modified_gmt":"2018-03-19T10:58:12","slug":"jovens-neet-e-millenials-o-presente-comprometido-e-o-futuro-bloqueado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/jovens-neet-e-millenials-o-presente-comprometido-e-o-futuro-bloqueado\/","title":{"rendered":"Jovens NEET e Millenials \u2013 o presente comprometido e o futuro bloqueado?"},"content":{"rendered":"<p><em>Jos\u00e9 Lu\u00eds Gon\u00e7alves<\/em><!--more--><\/p>\n<p>Os sinais de alerta n\u00e3o s\u00e3o recentes, mas o problema parece ter-se agravado entre os anos 2000 e 2016: o n\u00famero dos jovens NEET \u2013 sigla inglesa para designar os jovens dos 15 aos 34 anos que n\u00e3o trabalham, n\u00e3o estudam nem est\u00e3o em forma\u00e7\u00e3o \u2013 passou de 11% para 20,8% em 16 anos, registando-se, em 2016, mais de 300 mil jovens desocupados. Representam, segundo o Instituto Nacional de Estat\u00edstica (INE), 13,2% do total de 2,279 milh\u00f5es de jovens do pa\u00eds. A par da taxa de desemprego jovem entre os 15 aos 24 anos &#8211; que em 2016 se situou em 28% -, este n\u00famero constitui motivo de alerta social.<\/p>\n<p>Se somarmos a estes dados aqueles provenientes do relat\u00f3rio <em>Education at the Glance<\/em> de 2016 (OCDE), verifica-se que mais dos 20% &#8211; portanto, um em cada cinco jovens portugueses entre dos 15 e os 29 anos &#8211; n\u00e3o trabalhava nem estudava. Uma an\u00e1lise mais fina permite ainda perceber que a percentagem dos jovens com mais de 24 anos que n\u00e3o conclu\u00edram o secund\u00e1rio nem est\u00e1 a estudar \u00e9 de 35%, evidenciando-se uma das mais altas da OCDE (21% em m\u00e9dia). O maior n\u00famero de jovens desocupados situa-se na faixa entre os 24 e os 29 anos.<\/p>\n<p>As explica\u00e7\u00f5es para este fen\u00f3meno devem ser encontradas num conjunto de fatores interligados, mas sobressaem duas raz\u00f5es principais: por um lado, e apesar dos espetaculares avan\u00e7os na redu\u00e7\u00e3o da taxa de insucesso e abandono escolar registada em Portugal nos \u00faltimos 30 anos, o n\u00famero de jovens entre os 18 e os 24 anos que deixa de estudar sem completar o secund\u00e1rio, em 2017, continua a situar-se acima dos 12% &#8211; portanto, dezenas de milhares de jovens abandonam anualmente o sistema de ensino; por outro lado, e embora verificando-se melhorias recentes, a taxa do desemprego jovem continua elevada, com quase 151 mil nestas condi\u00e7\u00f5es na faixa et\u00e1ria dos 25 aos 34 anos de idade.<\/p>\n<p>Os soci\u00f3logos denominam os jovens nascidos entre os anos 1980 e 2000 como <em>Millenials <\/em>(ou <em>Gera\u00e7\u00e3o Y<\/em>), ou seja, aquelas e aqueles que carregam, sobre os ombros, a responsabilidade de terem sido a gera\u00e7\u00e3o mais bem preparada do pa\u00eds tendo sido criada a expectativa de poderem usufruir de um n\u00edvel de vida mais pr\u00f3spero que o das gera\u00e7\u00f5es anteriores. Acontece que, para muitos, tal n\u00e3o se verifica. Sem emprego est\u00e1vel e\/ou remunera\u00e7\u00e3o compat\u00edvel com o seu n\u00edvel da sua forma\u00e7\u00e3o, esmorecem as possibilidades de poderem tra\u00e7ar projetos de vida a m\u00e9dio prazo, como constituir fam\u00edlia ou adquirir habita\u00e7\u00e3o, por exemplo. Uma gera\u00e7\u00e3o inteira amarrada ao presente, a multiplicar \u201cexperi\u00eancias\u201d e a projetar \u201cexpectativas\u201d sempre por concretizar. Uma gera\u00e7\u00e3o nascida na era tecnol\u00f3gica, que vai gerindo a frustra\u00e7\u00e3o e a ansiedade e que, nas suas caracter\u00edsticas, \u00e9 diferente da anterior.<\/p>\n<p>Estes dois grupos diferentes de jovens adultos \u2013 os NEET e os <em>Millenials<\/em> \u2013 que t\u00eam o presente comprometido e o futuro bloqueado, personificam um desafio s\u00e9rio \u00e0 nossa solidariedade intergeracional como na\u00e7\u00e3o e, porque n\u00e3o, como civiliza\u00e7\u00e3o ocidental. Estes dois grupos mereciam maior aten\u00e7\u00e3o por parte das pol\u00edticas p\u00fablicas e tamb\u00e9m da pastoral da Igreja. Porque, sem nos darmos conta, estamos a forjar silenciosamente uma outra sociedade&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Lu\u00eds Gon\u00e7alves<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":92268,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-99717","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/99717","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=99717"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/99717\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/92268"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=99717"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=99717"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=99717"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}